Chegar aos 44 anos atuando em alto nível é privilégio para poucos. Nascido em Itaguaí, interior do Rio de Janeiro, o atacante Ademilson hoje colhe os frutos por ter optado por uma vida regrada fora das quatro linhas. Ídolo no Tupi, atualmente o camisa 9 faz a alegria do rival Tupynambás; as duas equipes duelaram na segunda rodada do Campeonato Mineiro e o Baeta levou a melhor: 1 a 0.

Nesta entrevista ao Hoje em Dia, Ademilson conta como foi atuar ao lado de Romário, seu grande ídolo, fala das oportunidades de vestir as camisas de Fluminense e Botafogo (as maiores de sua carreira), diz que nunca foi procurado por nenhum grande da capital mineira, rechaça se aposentar em 2019, reafirma o carinho que tem pelos dois times de Juiz de Fora e revela que o grande objetivo quando pendurar as chuteiras é se tornar dirigente, para poder montar equipes e atuar como gestor fora dos gramados.

Neste domingo (3), Ademilson volta a campo para encarar o Tombense. O duelo, marcado para às 11h, será no Estádio Mário Helênio. 

Você chega aos 44 anos atuando em alto nível e marcando gols na elite do futebol mineiro. Qual o segredo de tanto vitalidade?

O segredo é você treinar bem, estar focado naquilo que gosta e quer fazer. Para mim, este é o grande segredo. Desde que comecei, sempre treinei forte. Agora não é diferente. Sou um cara que nunca bebi e nunca fumei. Nunca perdi uma noite de sono. Esta foi a minha fórmula para chegar aos 44 anos jogando.

No início dos anos 2000, você atuou por Botafogo e Fluminense. Como foi esta passagem pelo futebol carioca?

A minha passagem pelo futebol carioca, na minha visão, foi excelente. No Botafogo joguei ao lado de grandes jogadores, como Dodô, Galeano, Carlos Germano, Vágner, Sandro... Foi muito importante para mim. Já no Fluminense, joguei ao lado do Romário, meu grande ídolo e o cara em que eu sempre me inspirei e me espelhei. Foi gratificante ter tido esta oportunidade.

Atuar ao lado de Romário foi o grande momento da sua carreira? Tem alguma história com o Baixinho que poucos sabem?

Com certeza, sim. História sobre ele eu não tenho porque o Romário sempre foi um cara muito reservado. Eu tinha acabado de chegar, então não éramos muito próximos. Como profissional, treinando com a gente e vendo jogar, aprendi demais com ele. Como disse, é meu grande ídolo.

Em Minas, você foi ídolo no Tupi e agora no grande rival, o Tupynambás. O que os dois clubes da Zona da Mata significam na sua vida?

Os dois têm uma importância imensa para mim. Os títulos mais importantes e o reconhecimento que recebi aconteceram mesmo em Juiz de Fora, tanto pelo Tupi quanto pelo Tupynambás. O carinho do torcedor, independentemente da idade, fica guardado para sempre na vida de qualquer jogador. Todos têm um carinho enorme por mim e eu por eles; sempre tento retribuir da melhor maneira possível, dentro e fora de campo. Tive passagem por outros clubes, como o Alegrense-ES, onde também fui campeão, mas não se compara com a minha história em Juiz de Fora.

Você nasceu no interior do Rio de Janeiro e pôde vestir a camisa de dois grandes clubes do Estado. E em Minas? Esteve perto de atuar por Atlético, América ou Cruzeiro?

Cara, nunca chegou nada até mim em relação a algum possível interesse de América, Atlético e Cruzeiro em me contratar.



No a no passado, você disse que o grande objetivo era disputar o Módulo I. Depois, afirmou que pensaria em pendurar as chuteiras. E agora? Os planos mudaram ou são os mesmos?

Então, falei que eu ia levando. Parar ainda não. Enquanto eu aguentar treinar e jogar ao lado dos garotos eu vou levando. Quando eu não conseguir mais, aí sim será a hora de parar.

O Tupynambás começou o Mineiro como sensação entre os clubes do interior; mas veio o balde de água fria com a goleada contra o Boa Esporte, em casa. Até onde o Baeta pode chegar na competição?

O Baeta montou uma equipe muito forte. Nosso objetivo é chegar o mais longe possível e, claro, até as finais. Vamos lutar para isso. Tem muita coisa pela frente ainda, muitos jogos, para que possamos nos reerguer desta goleada.
 

ademilson

O que faltou para o Ademilson ser visto pelos gigantes do futebol brasileiro? Se sente injustiçado por não ter tido outras chances, além da recebida no futebol carioca?

 

Faltou tempo. Cheguei no Botafogo com 29 anos, uma idade um pouco avançada. Não me sinto injustiçado pois agarrei todas as oportunidades que me foram dadas, inclusive de conhecer outros países. Sou muito grato ao futebol.

Qual o seu papel com os mais novos atualmente? Chegar aos 44 anos, bem fisicamente, desperta a curiosidade de quem está começando a despontar no mundo da bola?

O meu papel é passar segurança e dar dicas e um apoio. Dentro de campo eu não posso correr para eles, por isso procuro sempre orientá-los. Eles me ouvem bastante; espero que isso possa ajudá-los ao longo das respectivas carreiras. O Igor Soares é um dos que espero ver num clube grande, pois tem potencial para isso. 

Quando pendurar as chuteiras, qual caminho pretende seguir? Já pensou nisso?

Já pensei sim! Quando parar eu quero continuar mexendo com futebol, mas não penso em ser treinador. Quero ser um dirigente para contratar jogadores e montar uma equipe; este é o cargo que pretendo seguir dentro do futebol.

Como sobreviver à dura realidade financeira dos clubes do interior? Tem muito ação trabalhista em andamento?

Tem duas em andamento. Infelizmente, são coisas que acontecem no futebol há algum tempo. Não vou ser o primeiro nem o último, mas é coisa que precisamos passar por cima quando temos um objetivo maior. Na vida você tem que correr e nada é fácil. Saber lidar com estas situações é muito importante. 

Com certeza, sim. História sobre ele eu não tenho porque o Romário sempre foi um cara muito reservado. Eu tinha acabado de chegar, então não éramos muito próximos. Como profissional, treinando com a gente e vendo jogar, aprendi demais com ele. Como disse, é meu grande ídolo.