Uma cena lamentável que manchou o clássico entre Cruzeiro x Atlético, neste domingo (10). Assim pode ser traduzido o ato de injúria racial, cometido por dois torcedores do alvinegro, com um dos seguranças privados, contratados para atuar durante a partida. Além das palavras de cunho racista, Fábio Coutinho relata uma cusparada.

“Uma situação vexatória, mas somos profissionais. Repugnante o que não foi gravado ali. Ele cuspiu no meu rosto. Todos os vigilantes que estavam presentes viram. Eles queriam ter acesso à área que é destinada à imprensa”, desabafa Coutinho ao Hoje e Dia.

“Acho bacana me posicionar, não pelo lado pessoal, mas pela classe. Acho bem rasa esta questão de ser preto, macaco, qual a sua cor... Deve-se ter um respeito ao ser humano e ao profissional. Eu não agredi ele em momento algum. Enfim, não é questão somente de levantar uma bandeira, mas pessoas como esta tem que ter uma lição”, acrescenta.

Apesar de não ser mineiro, o segurança conta também que, curiosamente é atleticano. Ser imparcial durante a atividade, seu ganha pão, é algo que ele não abre mão.

“Sou carioca, moro em Minas há mais de seis anos. Sou atleticano, mas sou imparcial. Trabalho muito no Mineirão e também no Independência. Até um atenuante. Fui chamado de Maria e de Cruzeirense, trabalhando na torcida do clube que eu torço”, comenta o segurança de 42 anos.

“Moro em Betim. Cheguei em casa, conversei com minha esposa e ela ficou um pouco transtornada. Me deu bastante apoio. Não tenho uma dimensão ainda e é delicado até opinar. A gente vê tanto esta situação acontecer, mas nunca acha que será vítima um dia. Sair de casa para trabalhar e receber uma cusparada  de graça na face e ser insultado da forma que eu fui.. você fica sem reação”, finaliza.

Fábio, a partir desta segunda-feira (11), buscará apoio jurídico para correr atrás de seus direitos.