O intervalo do clássico Cruzeiro 3, Atlético 0, na última quinta-feira (11), no Mineirão, teve o mais grave episódio de violência entre as duas torcidas dentro do Gigante da Pampulha desde que ele foi reinaugurado, em 2013. Dezenas de atleticanos romperam todas as barreiras de divisão entre os dois lados no setor laranja inferior e chegaram no local onde estavam os cruzeirenses. E o confronto aconteceu.

Um dos torcedores do Cruzeiro chegou a tomar uma maca de madeira, de um socorrista do estádio, para usar como arma no confronto. Lixeiras também foram arremessadas pelos cruzeirenses contra os atleticanos, que com a reação voltaram para o seu setor.

Quando isso acontecia, chegaram ao local os primeiros policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM). Com tiros de bala de borracha, bombas de efeito moral, gás de pimenta e cassetetes, eles encerraram o confronto, acabando com o confronto que tinha começado há pouco tempo.

Antes, o maior episódio de violência entre as duas torcidas no novo Mineirão tinha sido no clássico de 21 de setembro de 2014, pela 21ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro, que terminou com vitória alvinegra por 3 a 2. As duas torcidas arremessaram bombas uma na outra, a violência foi relatada na súmula e os dois clubes perderam mando de campo, cumprindo nas duas primeiras rodadas da edição do torneio no ano seguinte.

Naquele 21 de setembro de 2014 não houve confronto entre as duas torcidas. No clássico da última quinta-feira isso aconteceu, quando atleticanos entraram no setor cruzeirense pelo laranja inferior.

Antes desse episódio de confronto, no laranja superior, o confronto esteve muito próximo de acontecer também. Os atleticanos chegaram ao corredor dos cruzeirenses, mas foram contidos pela PM.

A partir deste episódio, correu no meio da torcida o boato de que a Máfia Azul, maior organizada cruzeirense, teria invadido o setor atleticano, embora isso seja praticamente impossível, pois ela fica do outro lado do estádio, no setor amarelo superior.

De toda forma, isso inflamou os ânimos e dezenas de torcedores desceram as escadas que deram acesso ao setor laranja inferior. As barreiras que separavam as duas torcidas foram derrubadas até com facilidade e assim aconteceu o confronto.

O setor laranja do Mineirão é dividido entre as duas torcidas para que possa ser cumprida a destinação de 10% dos ingressos de visitante ao Atlético nos clássicos contra o Cruzeiro. O laudo que atesta a segurança desta operação é responsabilidade da Polícia Militar. (Veja o vídeo abaixo)

O que dizem as partes:

Polícia Militar

Mesmo com os ânimos exaltados da torcida e o desrespeito à permanência nos setores isolados para cada uma delas, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) esclarece que se fez presente nos fatos, atuando com policiais militares do Batalhão de Choque, de forma a restabelecer a ordem e impedir a ampliação do confronto ocorrido. Todas as imagens fornecidas estão em análise para adequações para futuros jogos, se necessário, permanecendo a Instituição sempre na busca da prevenção desses conflitos”

Mineirão

A invasão de setores não é comum em clássicos realizados no Mineirão. Infelizmente esse lamentável fato ocorreu, por parte de vândalos, no clássico de ontem entre Cruzeiro e Atlético, mas é importante ressaltar que estavam em serviço na partida 584 seguranças privados que atuaram em parceria com as forças de segurança do Estado. Embora não haja divisão física no setor laranja inferior, essa separação de torcidas sempre foi feita de maneira eficaz por meio de grades, tapumes e com atuação da segurança privada, com apoio das forças de segurança. Não cabe somente à Minas Arena avaliar a mudança de procedimento. A divisão de setores em todas as partidas realizadas no Mineirão é discutida em conjunto com todas as entidades responsáveis pela organização do jogo”