MOSCOU – Quando a França ergueu a taça de campeã mundial pela primeira vez, em 1998, Kylian Mbappé estava no ventre da mãe, a argelina Fayza Lamari, ainda aos quatro meses de gestação. Com menos idade que o primeiro título dos Bleus, o jogador de 19 anos vira um símbolo do bicampeonato e uma ponte entre o passado, o presente e o futuro do futebol do país.

Segundo adolescente a marcar um gol em uma final de Copa! Bem-vindo ao clube, Kylian. É ótimo ter a sua companhia!”

“Se Mbappé continuar a igualar meus recordes assim, vou ter que tirar a poeira das minhas chuteiras outra vez”

Pelé,
Via Twitter

Numa noite chuvosa em Moscou, o camisa 10 marcou o último dos quatro gols franceses sobre a Croácia na decisão de 2018. Um chute até despretensioso, mas que encontrou o alvo certo entre a trave e a insegurança do goleiro croata.

Foi a coroação do grande desempenho com quatro gols marcados no torneio, empatado com Antoine Griezmann, eleito o melhor em campo ontem.

O camisa 10 embarca de volta a Paris com a medalha de campeão e o prêmio individual de destaque jovem da competição (veja todos os troféus abaixo).

Aos exatos 19 anos e 208 dias de vida, ganha também um lugar ao lado de Pelé na galeria dos únicos a balançar a rede numa final de Copa antes do 20º aniversário.

“Bem-vindo ao clube”, publicou Edson Arantes do Nascimento no Twitter, relembrando o feito alcançado por ele aos 17 anos e 250 dias, na vitória por 5 a 2 sobre a Suécia, em 1958.

Nas oitavas de final, contra a Argentina, Mbappé já havia repetido um feito do Rei ao se tornar apenas o segundo a marcar dois gols em uma fase eliminatória de Copa antes dos 20 anos.

Prêmios individuais Copa

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Disputa aberta

O prodígio tornou-se o segundo jogador mais caro da história ao trocar o Monaco pelo Paris Saint-Germain (180 milhões de euros), na mesma janela em que o clube havia investido 220 milhões de euros para tirar Neymar do Barcelona. 

Agora, o camisa 10 da seleção francesa volta à cidade como campeão do mundo, ameaçando o protagonismo do craque brasileiro e suas pretensões de ser eleito o melhor do mundo.

Em 2022, Mbappé terá grandes possibilidades de superar Thierry Henry como o segundo maior artilheiro do país em Mundiais. Ele precisa de apenas mais três gols para ultrapassar o ex-camisa 12 a quem é frequentemente comparado. “Espero vê-lo campeão novamente. Ele não mostrou tudo ainda”, elogiou o técnico Didier Deschamps.

'Prêmios de consolação'

A ausência completa de um sorriso na foto oficial ilustra bem a decepção de Luka Modric ao subir no pódio após a derrota na final. Passada a tristeza, o meia croata poderá comemorar minimamente o recebimento da Bola de Ouro, prêmio individual mais cobiçado da Copa do Mundo.

O camisa 10 do Real Madrid foi o maestro do feito histórico realizado pelo time xadrez ao alcançar a primeira final e melhor campanha em Mundiais, menos de três décadas depois da criação do país.

Além do armador de 32 anos, outros semifinalistas também ganharam “prêmios de consolação” após as derrotas nas fases decisivas. Terceiro colocado com a Bélgica, o goleiro Thibaut Courtois foi eleito o melhor goleiro da competição, enquanto o centroavante inglês Harry Kane levou o troféu de artilheiro isolado do torneio (seis gols) para amenizar a quarta colocação. 

Assim, cada um dos principais prêmios individuais da Copa ficou com um representante das quatro melhores seleções deste edição.