Deu a lógica na definição do adversário celeste nas quartas de final da Copa Libertadores. Pela terceira vez a Raposa terá pela frente um dos mais temidos e tradicionais clubes da Argentina, o Boca Juniors, que superou por 4 a 2 o Libertad, no Defensores del Chaco, em Assunção (já havia vencido por 2 a 0 na Bombonera).

Se o sonho do tricampeonato segue mais vivo do que nunca, será necessário superar um tabu incômodo, além de alcançar o que, na competição, apenas o Santos, de Pelé, e o Fluminense, em 2008, conseguiram: eliminar os Xeneizes, seis vezes campeões, em confrontos de mata-mata.

A primeira partida, no lendário estádio da capital argentina, está marcada para o período entre 18 e 20 de setembro – data e horário serão oficializados nos próximos dias pela Conmebol.

No caminho estrelado, nomes de peso, como Gago e Tévez; jovens de talento, como Pavón e Nandez, e o reencontro com Ramón Ábila.

'Bestia da Bestia'

A bem da verdade, não apenas o time hoje comandado pelo ex-atacante Guillermo Barros Schelotto, mas os argentinos, em geral, são a pedra no sapato estrelado. Se a torcida azul apelidou (com razão) o Cruzeiro de “La Bestia Negra”, não é exagero dizer que os vizinhos de continente são a ‘Bestia’ do clube do Barro Preto quando o assunto é brigar pela hegemonia do torneio sul-americano. Afinal, em seis confrontos, apenas uma vez a China Azul pôde comemorar.

Em 1975 a equipe enfrentou Independiente e Rosario Central, mas se tratava de um triangular semifinal, em que o “Rei de Copas” acabou avançando. O primeiro foi o mais marcante, já que valeu o título inédito da competição, em 1976. A Raposa, com Raul, Nelinho, Piazza, Jairzinho e Joãozinho, precisou do jogo-desempate para levantar a taça: vitória por 4 a 1 no Mineirão, derrota por 2 a 1 no Monumental de Nuñez e triunfo na partida de desempate, em Montevidéu.

No ano seguinte, primeiro encontro decisivo com o time do bairro da Boca, e primeiro revés, novamente na terceira partida: nos pênaltis, vitória xeneize. A campanha do bicampeonato, em 1997, passou por vitórias sobre o Grêmio, equatorianos, chilenos e peruanos.

Há 10 anos, novamente o Boca entrou no caminho celeste. Com Fábio já no gol e sob o comando de Adílson Batista, o duelo valia vaga nas quartas de final e acabou com duas vitórias dos argentinos que, à época, contavam com Riquelme, Palermo e Dátolo.

A decisão de 2009 é daqueles momentos que o torcedor prefere especialmente não lembrar: empate sem gols em La Plata, e vitória do time comandado por “La Brujita” Verón no Mineirão.

Em 2014 e 2015, mais dois encontros com os hermanos, pelas quartas de final. Contra o San Lorenzo, derrota em Almagro e empate no Gigante da Pampulha. No ano seguinte, um cenário semelhante ao do duelo com o Flamengo esse ano: uma consagradora vitória em Nuñez sobre o River (a única como visitante diante de um argentino), sucedida por uma derrota dolorosa no Mineirão (3 a 0).

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