Principal movimento por melhorias no futebol brasileiro, o “Bom Senso F.C.” ainda mostra-se insatisfeito com alguns pontos da Medida Provisória 671/15, conhecida como MP do Futebol, apesar de reconhecê-la como um primeiro passo para moralização do esporte no país. A proposta foi aprovada anteontem na Câmara dos Deputados.
 
Como a MP ainda precisa passar pela aprovação do Senado Federal e sofreu modificações em seu texto original, as lideranças do grupo formado por jogadores e ex-atletas preferem manter a cautela. 
 
“Foi um avanço, apesar de terem acontecido várias manobras da bancada da bola, ligada à CBF, para modificar muita coisa que a gente queria”, ressalta Ruy Cabeção, ex-lateral-direito do América e do Cruzeiro. “Mas não podemos negar que o primeiro passo foi dado. Nosso medo é que, até o dia da votação no Senado, novas manobras aconteçam. Vamos estar de olho, e temos a palavra da presidente Dilma. Ela nos garantiu que não vai aliviar para os clubes”, conclui Ruy.
 
“Desde que começamos com as reunião com a presidente Dilma e o Ministério dos Esportes, eles nos alertaram que as coisas na política não acontecem 100% como a gente quer. Infelizmente, a bancada da bola começou a agir. A gente já tinha um acordo feito, mas momentos antes começaram telefonemas para o gabinete do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), que é o relator. De uma forma covarde, a bancada da bola conseguiu derrubar alguns pontos que o Bom Senso achava importante”, detalha o representante do grupo.
 
Para Ruy, o fato de os capitães dos times e outras personalidades importantes ligadas ao futebol continuarem sem direito a voto na escolha do presidente da CBF é um dos principais pontos questionáveis da Medida Provisória. Para o atleta, por outro lado, um dos grandes avanços será a maior fiscalização dos clubes, inclusive sobre seus presidentes – que podem tornar-se inelegíveis por até dez anos. 
 
O diretor jurídico do Atlético, Lázaro Cândido Cunha, revela que o clube também vê pontos positivos e negativos na proposta. “O clube ainda está acompanhando. Esta é a primeira etapa do processo, ainda precisa passar pelo Senado. A ideia de dar mais transparência às questões financeiras dos clubes de futebol é sempre importante, mas nos preocupa a grande intervenção do poder público nos clubes. Este é um caminho muito perigoso”, critica.
 
A reportagem do Hoje em Dia tentou conversar com o deputado Otávio Leite na tarde de quarta-feira (9). Mas o parlamentar estava em reunião e não retornou as ligações. Os dirigentes do Cruzeiro também não foram encontrados para comentar o assunto.