Se todo time começa por um grande goleiro, termina com um goleador. E os torcedores de Atlético e Cruzeiro não precisam voltar longe na memória para recordar de jogadores que, se não eram camisas 9 de ofício, cumpriram bem a função a ponto de terminar o Campeonato Brasileiro entre os principais artilheiros, quando não puxando a fila. Na competição deste ano, no entanto, o cenário é bastante diferente: a missão de balançar as redes se mostra dividida. O que não quer dizer que a lista é grande e ajuda a explicar os números decepcionantes, especialmente no caso da Raposa. Que soma os mesmos 16 gols do rubro-negro Gabigol, hoje, com sobras, o primeiro na artilharia.

Das 24 vezes em que o alvinegro superou os goleiros adversários, quatro foram graças ao equatoriano Cazares, pivô de episódios recentes fora de campo que começam a esgotar a paciência de torcida e diretoria. O segundo representante na lista também não é, na teoria, um definidor: o colombiano Chará. O pastor Ricardo Oliveira chegou a completar 16 jogos de jejum – momento que ele próprio admitiu ser incômodo e pouco comum numa carreira regada a gols. No atual Brasileiro, são apenas dois, mesmo total marcado por Alerrandro, que surgiu como segunda opção para o posto. E a prova de que ambos fizeram menos que o esperado veio do espaço dado ao argentino Franco di Santo que, ao menos por enquanto, registra o melhor aproveitamento (um gol em duas partidas).

Seca

Jejum no Galo, jejum também na Raposa, com Fred estacionado nos três, um a menos que Thiago Neves, alvo de críticas da torcida. Ainda como TN33, o meia-atacante terminou a competição de 2017 como o maior goleador estrelado (11 tentos), mas teria de contar com um desempenho impecável no returno da competição para ao menos igualar a marca.

O camisa 9, depois de dar fim à seca de 16 partidas, tem regulado: marcou em quatro das últimas partidas pelo Brasileiro. E não precisará de muito para superar a marca do goleador celeste no campeonato em 2018, agora rival que estará do outro lado do campo domingo, no Mineirão. Hoje no Flamengo, o uruguaio De Arrascaeta marcou ano passado seis vezes – uma temporada de péssimo desempenho ofensivo celeste, que se justificou de certa forma com a opção pela Copa do Brasil. Algo que não mais se aplica este ano.

Se hoje o momento dos dois times é distinto na tabela, as respectivas ambições dependem de números bem melhores dos homens de ataque. As boas temporadas tradicionalmente passam por um ou mais jogadores na parte de cima da lista de goleadores, o que por enquanto não é o caso.