Há exato um ano, o técnico Rodrigo Santana iniciava um ciclo no Atlético que, neste 14 de abril, acumula quatro comandantes em apenas 12 meses (dez se considerarmos férias e a paralisação devido à pandemia do novo coronavírus); média de 90 dias de trabalho para cada um deles. As frequentes mudanças, inclusive, fizeram com que o clube ganhasse o rótulo de “Máquina de Moer Treinadores”. Nesse período, além dele, passaram pelo alvinegro Vágner Mancini, Dudamel e, atualmente, Jorge Sampaoli.

Sucessor de Levir Culpi, Santana teve apenas dois dias para montar estratégia para seu primeiro duelo. A partida de ida da final do Mineiro, contra o Cruzeiro, foi o debute do santista, na época com 36 anos, acionado junto à equipe sub-20 para exercer a função como interino.

Apesar de não conseguir o caneco do Estadual, Rodrigo foi mantido no cargo. Eliminar o Santos na Copa do Brasil e avançar cada vez mais na Copa Sul-Americana deram a ele a confiança de jogadores, diretoria e torcedores. 

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Porém, após a parada para a Copa América, período em que foi oficializado como efetivo, as coisas começaram a desandar.

Goleado pelo Cruzeiro no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, por 3 a 0, e vencedor do segundo confronto por 2 a 0, o Atlético vivenciava ali mais uma queda para o maior rival. Naquele momento, a Raposa jamais imaginava que terminaria a temporada sendo rebaixada para a Série B do Brasileiro.

Na competição mais importante do país, os comandados de Rodrigo Santana se mantiveram no G-4 durante muitas rodadas. Contudo, lesões, elenco limitado e também o foco na Sul-Americana – que fez com que o técnico e sua comissão optassem por colocar times alternativos em algumas partidas – ocasionaram a derrocada na tabela e, posteriormente, do técnico. No torneio intercontinental, o Atlético foi eliminado pelo Colón, nas semifinais.

Com Rodrigo, foram 41 partidas, com 18 vitórias, 6 empates, 17 derrotas e aproveitamento de 48,78%. Atualmente, ele comanda o Avaí, de Santa Catarina.

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'Tapa-buraco'

Sucessor de Santana, Vágner Mancini teve rápida passagem pelo Atlético. A missão de "apagar incêndio" e deixar o time fora da zona de rebaixamento não foi suficiente para sustentá-lo para 2020. Ele esteve à frente da equipe em 13 jogos do Brasileirão;  foram quatro vitórias, cinco empates e quatro derrotas; o que corresponde a um aproveitamento de 49%.

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‘Moído’ em dois meses

Contratado para recolocar o Atlético nos eixos, o venezuelano Rafael Dudamel chegou a BH em 6 de janeiro nos braços da Massa. Recepcionado por uma multidão no aeroporto, ele desembarcou no Brasil com status de “prateleira de cima”, graças ao bom trabalho realizado frente à seleção de seu país.

Mas a passagem se tornou conturbada. Eliminado precocemente da Sul-Americana, caindo para o Unión, da Argentina, na primeira fase, e na Copa do Brasil, quando acabou ficando pelo caminho após derrota nos pênaltis para o Afogados (PE), na segunda fase, o comandante se tornou mais um a ser demitido.

Em entrevista à TV Record, na semana passada, o meia Nathan criticou bastante a metodologia de Dudamel e, em resposta, o treinador classificou como “covarde” a declaração. Além disso, disparou contra o presidente Sérgio Sette Câmara e o vice Lásaro Cândido. Segundo o venezuelano, o Atlético parecia mais um “clube social” quando chegou e que muitas coisas precisavam ser mudadas.

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‘Sampaolão da Massa’

Cotado para iniciar a temporada, mas recusando a primeira investida alvinegra, o argentino Jorge Sampaoli mudou de ideia – principalmente por não ter se recolocado no mercado – e aceitou a missão de acabar com o ciclo da “dança das cadeiras” no clube mineiro. Em outras palavras, o hermano chegou com a meta de recolocar o Galo no caminho das grandes conquistas – embora, neste ano, todo o planejamento parece estar comprometido em função do isolamento social provocado pelo novo coronavírus.

Vice-campeão brasileiro pelo Santos em 2019, ele chegou a Belo Horizonte prometendo bastante trabalho e, com a promessa de reforços, montar um plantel fortíssimo para o Atlético.

Contudo, com a paralisação do futebol, devido à pandemia do novo coronavírus, o argentino teve tempo apenas de mostrar o cartão de visitas. Há exato um mês, o Galo venceu o Villa Nova, por 3 a 1, em Nova Lima, pela nona rodada do Campeonato Mineiro.

Com as dificuldades financeiras previstas, graças à falta de receitas, o cenário futuro se tornou imprevisível; principalmente em relação à agressividade da diretoria em busca de novos jogadores. Sampaoli assinou vínculo de dois anos e os vencimentos superam R$ 1 milhão.