“Queremos muito jogar aqui. Se tirarem isso da gente vai ser uma facada no peito”. A declaração do diretor de futebol da Caldense, Franco Martins, um dia após a classificação para a final do Campeonato Mineiro, não deixa dúvida. O time do Sul de Minas não pretende abrir mão do direito de jogar em casa a decisão contra o Atlético, no dia 3 de maio, em troca de uma renda maior.

Mas a confirmação do local do jogo deve sair apenas nesta quarta-feira (22). A diretoria aguarda um laudo do Corpo de Bombeiros sobre a construção da arquibancada móvel para três mil torcedores que foi feita no Estádio Ronaldo Junqueira. Com a ampliação, o Ronaldão passou a ter capacidade de 10.700 torcedores, acima dos 10 mil exigidos pelo regulamento para as finais.

Segundo o diretor da Veterana, até o prefeito da cidade, Eloísio Lourenço, “comprou” a briga e virá a Belo Horizonte nesta quarta-feira para se reunir com o alto comando do Corpo de Bombeiros. “Fizemos tudo que foi necessário. Queríamos muito jogar diante da nossa torcida que nos apoiou o tempo todo. Seria injusto tirar a decisão daqui”, avalia Franco.


Impasse

Caso não tenha seu estádio liberado, a Caldense ainda não definiu onde jogar. Dificilmente a FMF autorizaria o time a atuar em Belo Horizonte, o que classificaria inversão de mando de campo. Mesmo impedimento foi imposto ao Villa Nova, na sexta rodada, quando optou por mandar seu jogo fora de Nova Lima. Varginha, que seria a outra alternativa, esbarra em uma briga política. Alguns integrantes da diretoria não querem o jogo na cidade vizinha.


Torcida em festa

Sem saber se poderão prestigiar o time em casa, os torcedores curtem o bom momento vivido pela Caldense. Após a conquista da vaga no domingo teve carreata, buzinaço e festa pelas ruas de Poços. Nessa segunda-feira (20), a cidade do Sul de Minas amanheceu pintada com as cores do clube. Bandeiras da Caldense decoravam casas e carros.

Fundador da torcida Lama Verde, criada há quase 20 anos, Rodrigo Néri ainda estava rouco na tarde de dessa segunda-feira (20) de tanta comemoração. “Estamos vivendo dias de muita alegria. Queremos levantar a taça em casa, apesar de enfrentarmos um grande adversário. Mas, mesmo que o jogo não seja aqui, vamos acompanhar a Veterana aonde for”, enfatiza Néri.


Em grande fase, Luiz Eduardo sonha também com a artilharia

Faltam apenas dois e o principal concorrente está fora da briga. Autor de um dos gols da vitória de 2 a 0 sobre o Tombense, que colocou a Caldense na final do Campeonato Mineiro, o atacante Luiz Eduardo passa a mirar também a artilharia da competição.

Em grande fase, ele foi um dos responsáveis pela boa campanha do time do Sul de Minas e estufou as redes adversárias sete vezes. Leandro Damião, centroavante do desclassificado Cruzeiro, que marcou nove, está fora da briga pelo posto de principal goleador da competição. O argentino Lucas Pratto, do Atlético, com seis, é a sombra que ameaça Luiz Eduardo. No clássico de volta contra o Cruzeiro, o camisa nove fez dois.

“É uma disputa difícil. Temos um adversário muito bom pela frente. Mas quando a bola rola é tudo diferente. Temos condições de brigar de igual para igual pelo título e pela artilharia”, projeta Luiz Eduardo, que curtiu o dia de folga dessa segunda-feira (20) ao lado da esposa Cláudia e dos filhos Luan, de sete anos, e Laila, de três anos.

Se a segunda-feira foi de tranquilidade para o principal atacante da Veterana, o domingo após a classificação foi de muita comemoração. “Saí para jantar com minha família. Fomos a um restaurante e foi muito gostoso. Toda hora alguém vinha tirar uma foto e parabenizar. Agora é descansar porque nesta terça-feira recomeçam os treinamentos”, conta. Para ele, a receita do grupo de jogadores para a boa campanha da Caldense nesta edição do Campeonato Mineiro é bem simples. “Jogamos cada partida como se fosse uma final”, resume.

O bom momento de Luiz Eduardo é encarado como uma verdadeira volta por cima. Depois de se destacar no Campeonato Mineiro de 2014, ele foi contratado pelo Boa para a disputa da Série B. No clube de Varginha, sofreu uma lesão séria, disputou seis jogos e não marcou nenhum gol. (G. C.)