Andar 30 quilômetros durante horas a fio sem pensar em mais nada, a não ser nos próprios passos, e ao fim do dia dormir em uma barraca. Valdete Honorata não sabia como isso era bom. Nas trilhas em meio à natureza, a representante comercial, 54 anos, descobriu uma nova forma de viver e valorizar cada momento da vida.
 
“Foi minha salvação em tudo”, conta a praticante de trekking ecológico, há 11 anos. Na atividade, ela não só encontrou uma forma para aliviar o estresse e a tensão do dia a dia como fez novas amizades, que renderam viagens para várias partes do mundo, como Machu Picchu, no Peru, e deserto da Atacama, no Chile. 
 
“Na realidade eu convivi com um pesado problema de separação na minha vida. Sofria com insônia e ansiedade. Corri durante um ano, o que me deixou ainda mais agitada. Até que um dia avistei um pessoal com mochila perto da minha casa. Conheci a turma que caminhava na Serra do Cipó e pedi para fazer parte do grupo em 2004”, conta. 
 
Valdete relaciona a atividade à prática da meditação. “Há casos em que andamos por dez horas seguidas. Não consigo me lembrar de nada, pois precisamos pensar em cada obstáculo. É muito prazeroso. Depois fico relaxada. Sentamos e conversamos sobre o dia a dia, o que alivia o estresse”, frisa. Participando de um grupo com 14 pessoas, ela revela não sentir cansaço, apesar da atividade exigir um grande preparo físico.
 
Passeio nas montanhas
 
O destino do grupo que Valdete participa é sempre as montanhas. Geralmente ela separa três fins de semana para fazer a atividade e um para ficar com a família. Só neste ano, já percorreu 400 quilômetros. 
 
O próximo destino internacional, para 2016, será a Cordilheira Branca, no Peru. Com o apoio dos dois filhos e da neta, ela não se vê longe desta atividade. “Meus familiares acham o máximo. Não me acompanham porque não dão conta”, brinca.