Dificilmente um cruzeirense saberia dizer quem é Francisco Pereira da Costa Júnior. Porém, se o assunto for a última partida da Raposa contra o Santa Cruz, pelo Brasileirão, as lembranças virão à cabeça. Há quase uma década, em 2006, Júnior Maranhão, como é conhecido, foi o carrasco do time celeste na última vez que as duas equipes se enfrentaram na competição nacional.

Autor de três gols na vitória pernambucana por 4 a 1, em jogo válido pela 34ª rodada, o ex-volante do Santinha ganhou visibilidade no país e foi parar no Japão, onde defendeu o Oita Trinita, na época comandado pelo brasileiro Péricles Chamusca. Em terras orientais, porém, permaneceu por apenas seis meses.

"Depois do campeonato, recebi algumas propostas do Brasil, mas acabei indo para o Japão. Ir bem contra o Cruzeiro na Série A abre muitas portas", conta Júnior. "Sofri com o fuso horário. Lá, eles não têm muita paciência com isso", revela.

Daquele duelo contra o Cruzeiro, Maranhão se lembra bem dos 90 minutos e também do clima que envolvia as duas equipes. Enquanto os mineiros lutavam por uma vaga na Libertadores do ano seguinte, os pernambucanos nadavam contra a corrente para espantar o fantasma do rebaixamento.

"A gente estava numa fase ruim. Antes da Copa, a gente estava bem, mas depois desandou e acabamos rebaixados. Foi um ano coletivamente difícil, mas no individual foi muito bom, porque me destaquei", relembra o ex-volante, hoje com 38 anos.

Com a vitória naquele dia, o Santinha respirou no Brasileiro, mas pouco pôde fazer nas partidas seguintes. Ao término das 38 rodadas, acabou rebaixado para a Série B, um caminho que terminaria na Quarta Divisão, alguns anos depois. Já o Cruzeiro perdeu a oportunidade de disputar a competição mais importante do continente, em 2007.

Remanescente

Aposentado desde 2013, quando pendurou as chuteiras jogando pelo modesto Belo Jardim-PE, Maranhão ainda lembra do duelo que travou com o goleiro cruzeirense. Curiosamente, o dono da camisa 1 era Fábio, até hoje responsável por defender a meta celeste. Nesta quarta-feira, ele estará em campo para encarar Grafite e companhia.

"Desde os tempos de Vasco, ele já pegava muito. Fábio é referência, e ninguém entende como não é goleiro de Seleção. Ele, inclusive, chegou a falhar em um gol meu, mas isso não interfere em nada (risos)", brinca Maranhão.

Sobre o duelo desta quarta-feira, o ex-volante acredita numa nova vitória do Tricolor, líder do Brasileirão. Com os pés no chão, porém, afirma que o placar não deverá ser elástico como naquele 9 de novembro de 2006.

"O Santa Cruz está numa crescente. O Milton Mendes arrumou o time, o Grafite está se destacando, e o Uillian Corrêa também. Tem um elenco competitivo e deve vencer este jogo", argumenta o carrasco celeste, apostando em um gol de Grafite, artilheiro do Brasileirão, com quatro gols.

Residindo em Jaboatão dos Guararapes (PE), onde tem uma escolinha de futebol, Júnior Maranhão acompanhará o jogo de casa, pela televisão. Desta vez, no entanto, não poderá ajudar o ex-clube a superar os mineiros.

FICHA TÉCNICA

SANTA CRUZ 4 X 1 CRUZEIRO

Motivo: 34ª rodada do Campeonato Brasileiro
Data: 09/11/2006
Local: Estádio do Arruda, em Recife (PE)
Árbitro: Elmo Alves Resende Cunha (GO)
Público: 1.412 pagantes
Renda: R$ 5.470,00
Gols: Júnior Maranhão, aos 33 min do primeiro tempo, aos 2 min e aos 16 min do segundo tempo; Diego, aos 13 min e Jairo, aos 42 min do segundo tempo
Santa Cruz: Anderson; Osmar, Hugo, Wilson Surubim e Reginaldo Araújo; Augusto Recife, Júnior Maranhão, Bruno Lança e Jorge Henrique (Elvis); Nenê (Jairo) e Mirandinha. Técnico: Fito Neves
Cruzeiro: Fábio; Teco, André Luis e Eliezio (Kerlon); Gabriel, Élson, Martinez (Léo Silva), Wagner e Leandro; Diego e Ferreira (Fábio Pinto)
Técnico: Oswaldo de Oliveira
Cartões amarelos: Élson, Gabriel, Eliezio, Diego, Kerlon e André Luis (Cruzeiro); Jorge Henrique (Santa Cruz)
Cartão vermelho: Léo Silva (Cruzeiro)