A grave crise econômica que o Cruzeiro atravessa, aliada as incertezas políticas que pairavam sobre a Toca da Raposa II, fizeram que com que o clube estrelado enfrentasse muitas dificuldades para formar o elenco que disputaria a temporada 2020.

Entretanto, apesar de todos os obstáculo inerentes a uma instituição que passa pelo momento mais delicado de seus quase 100 anos de história, fato é, que o departamento de futebol tomou várias decisões que se mostraram confusas durante o ano.

De dezembro de 2019 a maio deste ano, a Raposa foi comandada pelo Conselho Gestor, que esteve à frente da instituição após a renúncia da antiga gestão liderada pelo ex-presidente Wagner Pires de Sá.

Desde junho, a Raposa passou a ser liderada pelo presidente Sérgio Santos Rodrigues, eleito nos dois pleitos realizados desde então.

Caso Daniel Guedes

Nos último dias, um negócio envolvendo o lateral-direito Daniel Guedes chamou à atenção.

Contratado pela Raposa, em agosto, por empréstimo junto ao Santos, o jogador foi liberado para o Goiás, para a disputa do Brasileirão.

Contudo, após as partes confirmarem o negócio, com direito a despedida de Guedes e agradecimento do jogador ao Cruzeiro, a negociação está perto de ser oficialmente descartado.

Isso porque, a Raposa e o Esmeraldino foram informados que o clube estrelado não podia reemprestar o atleta, por determinação da Fifa. Desse modo, o lateral deveria rescindir com a Raposa, e ser emprestado pelo Peixe, dono dos direitos federativos de Daniel, para posteriormente ser cedido ao Goiás.

Como o clube paulista está em ano de eleição, e todas as decisões envolvendo o futebol devem passar pelo  Conselho Deliberativo, e o prazo para inscrições de jogadores na Série A se encerra nesta sexta-feira (20), a transação ficou praticamente inviável, pela falta de tempo hábil para o encerramento das tratativas.

Desse modo, o futuro de Daniel Guedes vai ficar entre o Santos e o próprio Cruzeiro, onde retornaria como terceira opção para o setor, atrás de Cáceres e Rafael Luiz.

Outros casos

O caso de Daniel Guedes é mais um episódio confuso com a participação de dirigentes da Raposa neste ano.

Uma das situações que tiveram reviravoltas durante o ano ocorreu já em janeiro. Depois de acertar um pré-contrato com a antiga gestão da Raposa, o zagueiro Ramon se apresentou junto com o restante do elenco, na Toca da Raposa II, pegando de surpresa a comissão técnica e parte da diretoria, que não sabia do acordo.

Como os valores combinados estavam acima do teto estipulado pela cúpula celeste para 2020, o defensor não permaneceu no clube. Entretanto, em março, o jogador voltou ao Cruzeiro a acertou o vínculo em definitivo e hoje é titular da equipe comandada por Felipão.

O meia-atacante Matheus Índio, por sua vez, foi contratado pela Raposa, em setembro, à pedido de Ney Franco, então comandante do time.

Na época, o clube estrelado não podia inscrever jogadores, e, razão de uma punição imposta pela Fifa, e o jogador ficou apenas treinando, ao lado do meia Giovanni Piccolomo e do atacante Iván Angulo, que viviam a mesma situação.

Após o fim da sanção, Índio foi informado que não estava nos planos de Luiz Felipe Scolari, e foi dispensado antes mesmo de estrear.

Angulo, que tentava iniciar a segunda passagem pela Raposa - havia feito um jogo pelo time celeste antes de voltar ao Palmeiras  - também não permaneceu e foi para o Botafogo.

Matheus Índio CruzeiroMeia-atacante Matheus Índio deixou o Cruzeiro antes mesmo de estrear pelo time celeste 

Dispensados e reintegrados

Durante o ano, uma situação que chamou a atenção no Cruzeiro foi o fato de que alguns jogadores foram colocado fora dos planos e reintegrados em curtos intervalos de tempo.

Os laterais-esquerdos Giovanni e Patrick Brey, que chegaram no segundo semestre (Brey retornou de empréstimo), foram liberados para acertarem com outros clubes e depois voltaram a ganhar novas chances.

O primeiro, que aparece como terceira opção para a posição, tem possibilidade deixar o Cruzeiro em definitivo dessa vez.

Muito acionado por Felipão nos últimos jogos, o atacante Wellinton foi afastado do time principal em setembro, em Ney Franco, mas foi reintegrado pelo próprio Ney poucos dias depois.

O meia-atacante Caio Rosa, de apenas 19 anos, considerado grande promessa da base celeste, alternou  várias vezes , também em poucos espaços de tempo, entre o time sub-20 e o principal do Cruzeiro, até ser negociado com o Al Sharjah, dos Emirados Árabes, em outubro.

Retorno de emprestados

No início do ano, a Raposa optou em emprestar vários atletas experientes do elenco para abaixar a folha salarial e também reformular o grupo que apresentava desgaste após o rebaixamento para a Série B no ano passado.

Entretanto, alguns desses jogadores, que antes estavam fora dos planos, voltaram ao clube ao longo do ano, nenhum com destaque até o momento, como são os casos de Henrique, Jadson, Sassá e Marquinhos Gabriel.

Esse último, está perto de acertar a rescisão de contrato com o Cruzeiro.

Também de volta ao time celeste esse ano, o zagueiro Manoel, uma das principais peças do atual elenco, não participou da campanha do rebaixamento no ano passado.

Por fim, outro caso emblemático sobre as reviravoltas nas decisões do departamento de futebol do clube estrelado é o do atacante Zé Eduardo.

Emprestado ao América-RN, onde vivia grande momento, o centrovante foi chamado de volta pelo Cruzeiro, que cedeu 15% dos direitos econômicos do jogador ao Dragão, em forma de compensação pelo rompimento do contrato de cessão, em setembro.

Entretanto, desde então, Zé atuou apenas 20 minutos, nenhum com Felipão. Com poucas chances em Belo Horizonte, o jogador esteve perto de voltar ao time potiguar, mas as três partes não chegaram a um acordo, e o jogador está de volta à Toca da Raposa II, com poucas chances de ser aproveitado neste momento.