Quando você lê ou escuta a frase "não é só futebol", sabe que boas histórias estão sendo contadas. E desta vez não será diferente; tudo por uma atitude nobre do volante Neto, promessa das categorias de base do Atlético, presente em campo em duas partidas da equipe principal nesta temporada. 

Nascido em Guanambi, Bahia, Antônio Fialho de Carvalho Neto viveu situação curiosa durante o duelo do último fim de semana contra o Funorte, pelo Campeonato Mineiro Sub-17. A vitória por 4 a 0 em Montes Claros, com dois gols do protagonista desta história, acabou ficando em segundo plano graças a um gesto que ele teve após o apito final.

Ainda com a bola rolando, Neto, sem querer, acabou rasgando a chuteira do atacante Maurício, durante uma dividida. Notando a tristeza do adversário e companheiro de profissão, não pensou duas vezes em prometer a ele um presente assim que a partida acabasse. Comovido com a reação do rival, o meia do alvinegro resolveu dar o próprio par ao atleta do Norte de Minas.

"Logo no comecinho do jogo eu peguei a bola e enfrentei ele no um contra um. Sem querer, na bola parada, eu pisei no pé dele e vi que a chuteira dele tinha rasgado. Ele ficou muito chateado na hora e disse que era a única chuteira que ele tinha. Eu falei que depois do jogo eu daria a minha para ele", conta o baiano de 16 anos ao Hoje em Dia

"Ele ficou muito feliz, ainda dentro do jogo. Até jogou melhor (risos). Mesmo com a nossa vitória ele veio todo alegre. Tirei minha chuteira e dei de presente. Ele ficou bem emocionado", acrescenta.

Perguntado de como se sentiu com a reação de Maurício e se tem a dimensão do gesto, Neto responde com alegria e orgulho de si mesmo. Se lembrar das dificuldades que o pai, seu treinador em Guanambi, tinha para ajudá-lo no sonho de ser jogador, foi a principal arma para colocar um sorriso no rosto do atacante do Funorte.

"Eu lembro que eu vim de uma família que nunca teve condições. Lembro que meu pai batalhava demais para me dar chuteira. Logo quando eu pisei no pé dele e vi que rasgou, percebi que ele se assustou e ficou triste. Era uma oportunidade para ele estar jogando contra o Atlético e mostrar o trabalho dele. Fiquei muito feliz", relata Neto.

"Sou patrocinado pela Puma e chuteira é o que não falta para mim. Temos que ajudar o próximo, mesmo sendo do time adversário. Isso não é problema algum. Depois do jogo tiramos uma foto e ele disse que são poucos atletas que têm esta humildade. Meu sentimento é de orgulho de mim mesmo de estar fazendo bem e ajudando o próximo", conclui.

Das dificuldades ao sonho

Antes de chegar ao Atlético, em 2015, Neto arriscou a vida em Campinas, aos nove anos, quando foi defender a Ponte Preta. A mudança, inclusive, mobilizou toda a família, que não media forças para realizar o sonho do menino.

"Meu pai era meu treinador na minha escolinha. Minha mãe tinha muito facilidade no basquete. Com nove anos eu tive uma oportunidade de jogar na Ponte Preta e eles pegaram tudo comigo e foram para lá, atrás do meu sonho. Lá encontramos muitas dificuldades. Íamos para o treino, para a escola e para a igreja a pé. As coisas foram melhorando com o tempo. Meu pai comprou um carrinho financiado e a gente foi tentando viver", conta o meia. 

"Em 2015 vim para o Galão. Passei um ano morando sozinho e minha família voltou para a Bahia. Foi o momento mais difícil da minha vida. Era a primeira vez que ficava sem eles. A saudade virou aprendizado", finaliza Neto, que há um ano vem sendo convocado para a Seleção Brasileira e que, após o Estadual, espera voltar ao elenco principal do Atlético.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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