Cinco anos de uma nova realidade ou 45 anos do final de uma era? Oficialmente, desde 20 de dezembro de 2010, o Campeonato Brasileiro, que tinha como marco inicial a edição de 1971, ganhou 12 anos de vida, pois o então presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, assinou a Resolução da Presidência 03/2010 reconhecendo como campeões da Série A os vencedores da Taça Brasil, disputada entre 1959 e 1968, e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, realizado de 1967 a 1970.

A decisão, baseada num dossiê bancado por clubes campeões nacionais no período entre 1959 e 1970, além de polêmica, faz do título da Taça de Prata de 1970, conquistado pelo Fluminense em 20 de dezembro daquele ano, com um empate por 1 a 1 diante do Atlético, no Maracanã, apenas mais um na galeria do Campeonato Brasileiro, e não o último de uma era do nosso futebol.

Além disso, tira do Atlético a condição de primeiro campeão brasileiro, façanha alcançada no mesmo Maracanã, onde um ano antes tinha sido coadjuvante na festa do Fluminense, com uma vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo, com um gol de Dario, em 19 de dezembro de 1971.

Meia década após a “canetada” de Ricardo Teixeira, o ouve ex-jogadores e jornalistas sobre a unificação dos títulos brasileiros, um assunto que segue carregado de polêmica e com argumentos fortes de quem é favorável à decisão do ex-presidente da CBF ou contrário à equiparação decretada pela entidade.

Discussão

A unificação dos títulos brasileiros virou um ingrediente a mais na rivalidade entre atleticanos e cruzeirenses. A decisão de Ricardo Teixeira fez o Cruzeiro “ganhar” um título do Campeonato Brasileiro, a Taça Brasil de 1966, e o Atlético perder a condição de primeiro vencedor da competição, em 1971. E a disputa entre os dois lados está longe de um consenso.

“Eu sempre me considerei campeão brasileiro, pois a Taça Brasil reunia os campeões de cada estado. Era a elite do futebol brasileiro. Então, não resta dúvida. Embora o Campeonato Brasileiro hoje seja muito mais longo, na Taça Brasil você muitas vezes enfrentava adversários muito mais fortes”, afirma o ex-zagueiro Procópio, capitão do time cruzeirense campeão da Taça Brasil de 1966.

“Vou morrer dizendo que sou o primeiro campeão brasileiro. Ninguém vai me convencer do contrário. Mesmo se tiver 500 pessoas falando que eu não sou, vou continuar confirmando que sou. Nosso time ganhou dentro de campo e perdeu fora por causa da canetada de uma pessoa importante na época. Mas ganhamos com brilho, com nosso suor, com muita dedicação e amor à camisa. Isso nunca vão tirar da gente”, garante Dario, autor do gol que deu ao Atlético o título do Campeonato Brasileiro de 1971.