Em reunião na manhã desta terça-feira (3), na Federação Mineira de Futebol (FMF), ficaram definidos detalhes do clássico entre Atlético e Cruzeiro. Dentre as definições, duas chamam a atenção: a divisão 90/10 na torcida e a proibição de materiais provocativos em ambas as torcidas no jogo deste sábado (7), às 19h, no Mineirão. 

Segundo detalhes preliminares, a Polícia Militar (PM) proibirá o uso por parte de qualquer torcida de materiais provocativos. Um dos exemplos citados na reunião foi a proibição de qualquer objeto que use a “letra B”, em clara alusão ao rebaixamento recente do Cruzeiro à Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro.

Haverá carga de 60 mil ingressos para o jogo, sendo 6.005 destinados aos torcedores da Raposa, visitante da vez.

Posicionamento da PM

O Major Felipe não quis entrar em detalhes durante a entrevista, mas citou que a questão das provocações estava definida no documento oficial da reunião. “A Polícia Militar vai seguir com o que sempre faz nos clássicos entre Atlético e Cruzeiro para garantir a segurança interna e externamente. Esses materiais (alusivos à queda do Cruzeiro à Série B) foram citados na ata da reunião da Federação (Mineira de Futebol). Se alguém tiver interesse acesse o site que estará lá descrito”, afirmou. 

E o item 33 da ata de reunião cita especificamente essa proibição por parte da PM. “A Polícia Militar determina que não sejam executados cânticos e vídeos provocativos no sistema de áudio e vídeo do Mineirão, bem como, determina a entrada de qualquer artefato que tenha a imagem da letra B”, diz o tópico do documento. 

Atlético se manifesta 

Apesar de ter assinado a ata, o Atlético, representado pelo advogado Marcelo Machado e o integrante do marketing, Pedro Magalhães, não concordou com a proibição da PM. No mesmo tópico 33 do documento com as especificações para o clássico houve o registro da não concordância atleticana. 

“O Atlético não concorda com a proibição da PMMG. A ironia e as manifestações legítimas do torcedor não podem sofrer limitações pelo poder público, o clube espera que o Ministério Público atue para defender a manifestação do torcedor”, cita. 

Por meio de sua conta particular no Twitter o vice-presidente atleticano, Lásaro Cândido da Cunha, acusou a PM de censura por tal determinação. 

“A PM 'proibiu' o torcedor do Atlético de portar no jogo de sábado qualquer “artefato” que tenha a imagem da “letra B”. Trata-se de proibição ilegal. O ATLÉTICO vai oficiar para que o Ministério Público tome as medidas legais urgentes para impedir essa censura absurda...(sic)”, postou o dirigente no microblog. 

Posição do Cruzeiro

Já o representante do Cruzeiro, o supervisor administrativo Benecy Queiroz, entendeu que a medida da PM em proibir os artefatos alusivos à queda da Raposa à Segunda Divisão é uma “medida de segurança” 

“É uma questão de segurança. Como a polícia é responsável pela segurança do espetáculo de tamanha importância como é Atlético x Cruzeiro, ela determinou a proibição (dos materiais com a letra B). Temos que parabenizar esse comportamento da polícia, para que todos que forem ao estádio assistir ao espetáculo tenham segurança”, comentou. 

Camarotes do Mineirão 

Em ata, o Atlético tentou proibir também a entrada de torcedores com camisas do Cruzeiro e de outros clubes da Séries A ou B do Campeonato Brasileiro nos camarotes do Mineirão. 

Os representantes do clube alvinegro solicitaram apoio da PM e da Minas Arena, gestora do Mineirão, no auxílio a essa recomendação. Entretanto, os representantes do estádio afirmaram que não seguirão esse pedido dos atleticanos. Tudo isso está especificado no tópico 40 da ata de reunião da FMF. 

“O Atlético, por questões de segurança, determina que não haja a entrada de torcedores com a camisa do Cruzeiro ou qualquer outro time da Série A ou B do Campeonato Brasileiro nos espaços destinados aos camarotes e solicita o apoio da Minas Arena e da PMMG para o cumprimento de tal medida. A Minas Arena comunica que não está sujeita e não se submeterá a tal determinação”, fala o tópico 40. 

Representantes 

A reunião contou com a participação de representantes de Atlético, Cruzeiro, Mineirão e Polícia Militar. 

No lado celeste compareceram os membros do setor gestão de arenas, Mário Lana e Leonardo Meira, o supervisor administrativo Benecy Queiroz e o supervisor de TI Aristóteles Lorêdo. 

Do lado atleticano participaram o advogado Marcelo Machado, o representante do marketing Pedro Magalhães e o gestor de arenas Lucas Couto. 

O Mineirão enviou o Coronel Teatini, responsável pela segurança, e Otávio Goes, gerente de operações do estádio .