A União das Repúblicas Socialistas da América Latina ainda não passa de uma teoria que colocou o Cabo Daciolo (Patriota), um dos candidatos à presidência da República, em evidência no primeiro debate da TV aberta. Mas se ela realmente existisse, o futebol ficaria sob suspeita. Afinal, no Brasileirão, cada equipe tem uma média de três gringos dos países que compõem a região. Sport e América são os únicos fora do páreo, mas há clubes que apostam cada vez mais no mercado barato e eficiente das nações limítrofes ou do mar caribenho.

Dos 18 clubes da Série A que têm estrangeiros, seis atingem o número máximo de atletas internacionais liberados a jogar juntos numa mesma partida. E dois deles – o vice-líder Flamengo e o terceiro colocado Internacional – até extrapolam o limite. Rubro-negros e Colorados, inclusive, protagonizaram uma movimentação doméstica no mercado. O peruano Guerrero trocou o Rio de Janeiro por Porto Alegre, onde o Grêmio, campeão da América, só tem um gringo. O mercado internacional no Brasil fechou, mas a Ursal do futebol segue com grandes aliados. “Jogadores do mundo todo, uni-vos!”

Primeiros colocados apostam alto na força que vem de fora

No alto do monte, o presidenciável Cabo Daciolo ainda não viu os pensamentos de Karl Marx unirem a América Latina. Mas no futebol brasileiro, a invasão de estrangeiros vizinhos segue com força. No total, 18 dos 20 clubes participantes da Série A contam com 66 jogadores gringos, sendo que 36,3% são argentinos, maioria absoluta, seguida por representantes da Colômbia, Uruguai, Paraguai, Equador, Chile, Peru, Venezuela e Costa Rica. 

Anteontem, o mercado de transferências internacionais para compra fechou no país. E o balanço foi movimentado em Minas Gerais. No Atlético, chegaram dois uruguaios e um colombiano. No Cruzeiro, a aposta foi em mais um argentino para a legião de hermanos. “La banda celeste” é tocada por quatro deles – Mancuello, Lucas Romero, Ariel Cabral e o recém-chegado Hernán Barcos, além do uruguaio Arrascaeta. 

O chimarrão da Cidade do Galo é bebido pelos uruguaios Martin Rea e David Terans, além do argentino Tomás Andrade, do colombiano Chará e o equatoriano Cazares, o mais velho de casa.

América e Sport são os únicos clubes da elite que apostam 100% no produto nacional. O Coelho, por sua vez, conta com um zagueiro boliviano na base – Lucas Revuelta, que pertence ao Bahia. Economicamente mais forte, o Brasil é o mercado mais atrativo para esses atletas antes do sonho da Europa. Analistas de desempenho, observadores e até mesmo empresários fazem a ponte para a chegada dos estrangeiros para o Brasileirão.

MINEIROS

Atlético e Cruzeiro sempre estão de olhos abertos para além das fronteiras brasileiras. O Galo ainda tem dois gringos emprestados. Erazo está no Barcelona, de Guayaquil, e Otero no mundo árabe. A Raposa rescindiu recentemente com o zagueiro Caicedo. 
O regulamento geral das competições da CBF determina que cada clube só possa relacionar cinco estrangeiros a cada partida. Mas isso não limitou a utilização de mão de obra internacional.

E a tabela da Série A é um reflexo disso. O líder São Paulo conta com cinco atletas gringos, além de ser o único time comandado por um treinador não-brasileiro. O uruguaio Diego Aguirre está no terceiro trabalho em solo nacional, pois já foi técnico do Internacional e do Atlético.

Na segunda posição, o Flamengo colocou as fichas na Colômbia. São quatro representantes do país, além do peruano Trauco e do recém-contratado paraguaio Piris da Motta. Seis gringos para cinco vagas. E eram para ser sete. Só que o terceiro colocado Internacional contratou Paolo Guerrero para ser mais um hispanohablante colorado, também superando a barreira dos cinco permitidos por jogo. 

Para reforçar a “tese” da Ursal (União das Repúblicas Socialistas da América Latina) de Daciolo, há um único representante da América Central no Brasil: o meia-atacante Bryan Ruiz, costarriquenho que chegou ao Santos.