De volta ao comando do Cruzeiro após mais de 19 anos, Felipão assumiu a missão de não apenas tentar tirar a Raposa das últimas colocações da Série B e sonhar com o acesso - que hoje se mostra improvável -, mas também de ser peça importante na luta do clube para superar a maior crise de seus quase 100 anos de história.

Com contrato até o fim de 2022, Luiz Felipe Scolari mostra que está disposto a encarar os inúmeros desafios que a instituição estrelada tem enfrentado desde o ano passado.

A probabilidade de 1% de chance de voltar à elite do futebol brasileiro, como estima o departamento de matemática da UFMG, não desestimulou o treinador, que indicou que a ideia é realizar um trabalho de pelo menos a médio prazo, independentemente da divisão que o Cruzeiro vai disputar em 2021.

Centenário

Ainda sonhando com a Série A, mas com o claro objetivo imediato de livrar a Raposa do risco de cair para a Série C, Felipão aparece como provável  comandante do time celeste no centenário do clube, que será completado no dia 2 de janeiro do ano que vem.

Em meio a um cenário que desperta todos os tipos de incertezas ao torcedor celeste, que vem acompanhando uma série de equívocos dentro e fora de campo, cometidos pela atual e pelas antigas gestões, Scolari traz consigo um currículo de respeito e um carinho de grande parte da torcida celeste.

A chegada do técnico, em meio ao conturbado momento do Cruzeiro, se torna uma das principais esperanças para os cruzeirenses, de que o ano mais simbólico da história do clube possa ter capítulos melhores dos que os que vêm se desenhando desde o ano passado.

"Nós não queremos só esse ano. Nós queremos este ano, que está terminando, 2021, 2022, 2023, e eu vou estar com vocês dando tudo aquilo que eu posso dar. A minha contribuição de conhecimentos, de amizade de tudo aqui que o Cruzeiro me deu. Conto com vocês", disse Felipão, em suas primeiras palavras como novo treinador do Cruzeiro.

Escudo

Além de buscar o ganho técnico, a chegada de Felipão ao Cruzeiro também faz com o treinador seja uma espécie de escudo para o elenco, e, principalmente para a diretoria, que vem sofrendo forte cobrança em razão dos erros cometidos desde o início da gestão.

As trocas no comando técnico, aliadas as mudanças na direção de futebol, a contratações de jogadores que pouco agregaram até o momento, além do péssimo rendimento da equipe na Série B, fazem com que o presidente Sérgio Santos Rodrigues seja o principal alvo dos protestos dos cruzeirenses.

As escolhas equivocadas à frente do futebol sobrepuseram qualquer ação feita por Santos Rodrigues na parte administrativa da Raposa, com destaque para tentativa de sanar as várias pendências financeiras que o clube tem.  

Alçado há poucas semanas para o cargo de diretor de futebol, Deivid também não tem conseguido passar a segurança que o torcedor espera na condução do time. Nesse cenário, Felipão aparece com tamanho suficiente para blindar a diretoria de pelo menos parte dos problemas.

Com relação ao elenco, que ainda não correspondeu às expectativas, Scolari pode exercer o mesmo papel, dando tranquilidade a um plantel que muitas vezes demonstra estar assustado em meio à grande pressão sofrida. 

Resta agora saber se Felipão vai conseguir, dentro de campo, dar o retorno ao um clube que parece apostar suas últimas fichas em seu trabalho.