Nico Rosberg nasceu quatro dias depois de o pai ter vencido o GP do Estados Unidos de 1985. Aquele garoto alemão não pôde ver o principal feito do finlandês, Keke Rosberg, campeão mundial três anos antes, porém construiu na Fórmula 1 uma carreira mais extensa, vitoriosa e convincente que a do pai. O segundo lugar no GP de Abu Dabi, nos Emirados Árabes, neste domingo, provou que o atual piloto da Mercedes não chegou ao topo da categoria só pelo sobrenome, mas sim pelo talento.

A comparação familiar é assunto evitado pelo Rosberg mais jovem. Em entrevista exclusiva ao Estado, no começo deste mês, o alemão disse não receber muitos conselhos do pai. Keke se afastou de Nico por pedido do filho, preocupado com a possibilidade de a proximidade lhe atrapalhar nos resultados. Os dois têm personalidades opostas. O pai é festeiro, e o herdeiro evita badalações e é discreto.

Nico desde pequeno foi trabalhado para ser campeão. Fora a ajuda do pai e o começo na kart como criança, estudou nas melhores escolas e é fluente em cinco línguas (alemão, inglês, italiano, espanhol e francês). Curiosamente, o finlandês não lhe foi ensinado. Keke considerava que o seu idioma natal era difícil demais e dispensável de se ensinar por ser pouco utilizado no automobilismo.

Somente a regularidade ao longo da temporada aproxima a performance dos dois no ano dos títulos. Keke é praticamente um campeão "acidental" na história da categoria, com somente uma vitória em 1982, porém foram seis pódios em 16 etapas. Nico, por sua vez, precisou ser duas vezes vice antes de adquirir a eficiência de 2016. Apenas na Espanha ele não pontuou.

O piloto da Mercedes assumiu a liderança em agosto, após as férias de verão na Europa. "Eu aproveitei as férias com a minha mulher e minha filha, voltei relaxado para a Fórmula 1. Quando você está bem na sua vida privada, acaba contribuindo na profissão", contou. Quatro vitórias nas cinco etapas pós-descanso lhe abriram o caminho para a conquista inédita, um prêmio à longa espera.

Em toda a história na Fórmula 1, jamais um piloto precisou aguardar tantas corridas para chegar ao primeiro título. Do seleto grupo de campeões mundiais, nenhum outro esperou mais de 200 GPs até a conquista. Rosberg, que estreou em 2006, pela Williams, está na 11ª temporada da carreira e tem quase cinco vezes mais vitórias do que o pai, presente na categoria em nove temporadas.

O finlandês Keke ganhou só cinco corridas. O título dele veio com um triunfo em toda a temporada de 1982, uma das mais equilibradas. Em 16 etapas, foram 11 vencedores diferentes. O ano teve duas mortes de pilotos (Gilles Villeneuve e Riccardo Paletti), mais outros acidentes graves, como um que tirou do campeonato a cinco corridas do fim o francês Didier Pironi, que terminou como vice.