Na maior crise financeira de seus 100 anos de história, acumulando uma dívida que supera o R$1 bilhão, a diretoria do Cruzeiro estuda alternativas para equacionar parte dos débitos.

Uma das ações que está sendo trabalhada pela cúpula celeste é a criação de um condomínio de credores para as ações trabalhistas. Atualmente, o passivo da Raposa nessa esfera gira em torno deR$150 milhões.

Nesse modelo, o devedor, no caso o clube celeste, por meio de um acordo com a outra parte, propõe um parcelamento da dívida, a partir de um valor compatível à realidade financeira do clube, estipulando um valor mensal a ser pago, respeitando alguns critérios, até que o passivo seja quitado.

Tal instrumento foi utilizado por outras instituições, como Atlético e Grêmio, na primeira década deste século.

Em entrevista exclusiva ao Hoje em Dia, o presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues, revelou a intenção de criar o condomínio de credores na esfera trabalhista, mas fez uma ressalva em relação aos outros clubes que utilizaram tal expediente.

“É o que a gente quer (criar um condomínio de credores), mas quando o Atlético fez, não havia a regulamentação que se tem hoje. Era uma coisa mais no caso a caso, e eles conseguiram fazer uma boa negociação. Hoje, você tem regulamentado os pré-requisitos para isso. A gente recebeu o presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), fizemos uma visita lá também, com nossa equipe trabalhista. Caminhamos para desenhar uma solução para o Cruzeiro nesse aspecto, mas não é tão fácil quanto era antes”, disse o mandatário da Raposa.

Urgência

Sobre as tratativas para sanar os débitos relacionados aos vencimentos dos funcionários, é importante destacar que, segundo o ordenamento jurídico brasileiro, os créditos trabalhistas têm prioridade em relação aos demais.

Tal entendimento, no entanto, não se aplica no âmbito desportivo, especialmente em relação às dívidas do clube celeste com outros clubes, que estão sendo protestadas junto à Fifa.

Nesse caso, o Cruzeiro também tem certa urgência em quitar as pendências, para não sofrer outras punições da entidade máxima do futebol, como ocorreu no caso da dívida com o Al-Wahda-EAU, pelo empréstimo do volante Denílson, que custou seis pontos ao time celeste nesta Série B.

Renegociação

Com mais uma temporada na Série B, sem poder contar com recursos importante que times que disputam a elite do futebol têm, especialmente um valor maior da cota de TV, o clube celeste novamente vai ter que entrar em acordo com jogadores que têm contrato vigente com o clube, e recebem valores acima da realidade atual da instituição.

Jogadores como Fábio, Manoel, Henrique, Ariel Cabral e Sassá, que têm vínculo ativo com o clube, além de outros atletas que já deixaram o clube, em definitivo ou emprestados, e que têm direito a receber vencimentos atrasados da Raposa, certamente terão que renegociar prazos e valores desses débitos.

No início da temporada, logo após o rebaixamento à Segunda Divisão nacional, o Cruzeiro, então administrado pelo Conselho Gestor, estipulou um teto de R$150 mil mensais para os jogadores, se comprometendo a pagar o restante do salário, previsto nos contratos, a partir de 2021.