Com profissionalização de departamentos, Atlético-PR usa modelo europeu de gestão

Gonçalo Junior
02/04/2017 às 13:45.
Atualizado em 15/11/2021 às 13:58

Mário Celso Petráglia, presidente do Conselho Deliberativo do Atlético Paranaense, conta, orgulhoso, a impressão que um dirigente do Kashima Antlers, do Japão, teve do Centro de Treinamento do Caju, em Curitiba, após uma visita recente. "Ele disse que estava no Brasil, mas que tinha impressão de estar em um clube europeu", disse o dirigente.

No ano passado, foram 21 visitas de delegações internacionais - como o dirigente que conversou com Petráglia - para troca de experiências e conhecimento. Com o mesmo objetivo, existem parcerias formais com o Orlando City, o time do meia brasileiro Kaká nos Estados Unidos, e o Kaiserslautern, da Alemanha.

A passagem pelo futebol europeu é um dos requisitos quando o clube vai contratar um gestor. Profissionais de 10 nacionalidades diferentes passaram ou passam pelo clube. Enquanto muitos dirigentes brasileiros citam Barcelona ou Manchester United como modelos, os dirigentes paranaenses foram mais assertivos e escolheram um time à sua imagem e semelhança. Escolheram o Southampton para criar um modelo de gestão empresarial em que o clube aposta na formação de jogadores para consumo interno e comercialização.

O time busca a profissionalização em todos os departamentos e o conceito de transdisciplinaridade foi ouvida em vários ambientes diferentes. Em 2013, o Atlético acertou uma parceria com a Exos, empresa especializada em alta performance de atletas e que ajudou na arrancada da seleção alemã rumo ao título na Copa do Mundo de 2014. O trabalho envolve quatro mentalidades: mentalidade, nutrição, movimento e recuperação.

Um dos trabalhos analisa o movimento de cada atleta a partir da análise de vídeos. A ideia é "balancear o jogador", como se fosse o automóvel, antes das competições. Os trabalhos são trimestrais. O clube possui um analista de desempenho, aquele que cuida das estatísticas do time, para cada categoria. Para cuidar da performance mental, dois psicólogos e dois psiquiatras.

No CT do Caju, as categorias de base usam as mesmas instalações do time principal. Todos comem no mesmo restaurante e até os dormitórios são iguais - muda apenas o número de atletas por quarto. Tudo para facilitar a integração no momento em que o garoto for promovido.

Hoje, 66% do grupo de 33 jogadores foram formados nas categorias de base. Em 2013, ano em que o clube voltou a disputar a Série A, o porcentual era de apenas 25%. Até o sistema de jogo (4-4-2) é unificado do sub-15 ao profissional, com as mesmas variações. O técnico do time principal, Paulo Autuori, trabalha no mesmo espaço físico das comissões técnicas da base.
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