Nesta década, ninguém elegeu mais jogadores para o Prêmio Craque do Brasileirão, promovido pela CBF, do que o Atlético. Na final da noite da última segunda-feira, o clube teve mais quatro escolhidos para o time ideal de 2015: Marcos Rocha, Jemerson, Douglas Santos e Rafael Carioca.
Mas enquanto 12 troféus individuais foram distribuídos para os alvinegros, de 2011 para cá, o clube segue de mãos abanando. Afinal, a cobiçada taça do Brasileirão não visita a sede de Lourdes desde 1971.

Nas últimas cinco temporadas, o Galo já teve mais eleitos do que Corinthians (10), Cruzeiro (9) e Fluminense (5), sendo o arquirrival e o time paulista bicampeões no período. O Tricolor foi algoz no Brasileiro de 2012.

O principal responsável pelo domínio atleticano é Marcos Rocha. Ele nem foi o lateral-direito que mais atuou pelo Atlético no Campeonato Brasileiro de 2015, conviveu com vaias da torcida, mas foi quem riu por último.

A cristaleira do sete-lagoano ganhará o mesmo troféu pela quarta vez seguida. Apesar de reconhecer ser o “azarão” na disputa, o camisa 2 saboreou o prêmio sem nenhum pudor.

“Fiquei bastante feliz pela premiação. Não era algo esperado por mim nem por muitos que acompanham o meu trabalho, pelo ano que fiz, pelas várias lesões que atrapalharam”, disse, em entrevista à rádio 98 FM.

Rocha se lesionou por três vezes na temporada e jogou apenas 21 jogos no Brasileirão, dez a menos que o colega Douglas Santos. Por isso, o reserva Patric entrou em campo duas vezes a mais que o titular.

A eleição, que conta com votação de jogadores, técnicos, jornalistas e ex-atletas, transformou o camisa 2 no futebolista com mais presenças na premiação do campeonato, ao lado dos zagueiros Dedé e Miranda.

“Quarto ano consecutivo, nenhum jogador conseguiu dentro do Brasileirão, disputado e difícil, ser premiado quatro vezes seguidas. Isso me dá mais coragem, vontade e esperança para continuar a fazer o trabalho que acredito que é o certo. Essa premiação só veio para me incentivar ainda mais”, afirma.

“Vão ter que me engolir”

Rocha admite que algumas apresentações abaixo do esperado foram provocadas pela frustração por não ser vendido para o futebol europeu. Mas, pelo visto, o sonho não atrapalha o planejamento do lateral. Tanto que ele já vislumbra a permanência no Galo na próxima temporada.

“Em 2016 estarei jogando com a camisa do Atlético. Aqueles que adoram me marretar vão ter que me engolir, eu tenho muito a acrescentar ao Atlético e aprender com o futebol”, afirma o lateral.

GRINGO DO ANO

Pelo segundo ano consecutivo, Lucas Pratto leva pra casa um prêmio individual. Eleito melhor jogador da Argentina no ano passado, o camisa 9 venceu a categoria de melhor estrangeiro na Série A do Brasileirão.

Um dos vice-artilheiros do campeonato, com 13 gols, Pratto já é cobiçado na Europa. Em junho, ele recebeu proposta do futebol inglês. Mas a diretoria alvinegra não pensa em se desfazer do goleador.

Pelo contrário: o Galo procura um parceiro para o Urso. Gustavo Bou, do Racing, segue no radar do clube mineiro, que pode pagar R$ 23 milhões pelo futebol do último artilheiro da Copa Libertadores.

GOLAÇO

Outro prêmio ainda em aberto pode coroar mais um estrangeiro do time alvinegro: o meia Dátolo concorre ao gol mais bonito do Brasileirão de 2015.
A pintura do camisa 10 foi contra o Flamengo, na goleada por 4 a 1, no Independência. Ele deu um drible desconcertante no lateral Pará antes de acertar o ângulo do goleiro Paulo Victor.