De um lado, um raçudo zagueiro argentino, em ascensão e que pode ver seu time perder por até três gols de diferença. Do outro, um centroavante pressionado pela falta de gols e com a obrigação de ajudar sua equipe a reverter a desvantagem da goleada de 4 a 1 sofrida no jogo de ida.
 
O clássico de volta entre Atlético e América, pela semifinal do Campeonato Mineiro, hoje, às 18h30, no Independência, marcará um duelo à parte entre Otamendi, do Galo, e Obina, do Coelho. Contratado para ser o homem-gol da equipe do técnico Moacir Júnior, o centroavante precisa fazer as pazes com as redes se quiser ajudar seu time a ainda sonhar com a vaga. 
 
A última vez que Obina fez um goleiro rival buscar a bola no fundo do gol foi no dia 1º de março, na vitória de 2 a 1 sobre o Nacional, pela oitava rodada do Mineiro.
 
Já Otamendi vive momento diferente. Depois de ver uma falha sua culminar em gol do Coelho, no clássico da sétima rodada, o argentino reconquistou a confiança dos torcedores e abriu o placar na semana passada, na partida de ida do mata-mata com o América, pela semifinal, mesmo que de forma irregular.
 
A falha do primeiro jogo, que repercutiu até na Argentina, poderia marcar negativamente a trajetória do defensor no alvinegro. Mas ele não se abateu e chega à reta final do Estadual como uma das peças-chaves no esquema do técnico Paulo Autuori. 
 
Neste domingo (30), ao lado de Edcarlos, ele terá a função de segurar o Coelho, que deve vir para cima pela obrigação de vencer por pelo menos três gols para chegar à final.
 
Otamendi foi apresentado na Cidade do Galo no dia 14 de fevereiro. Sua contratação aconteceu praticamente em caráter emergencial, depois que Emerson quebrou a perna na fase complementar da partida contra o Nacional, logo na segunda rodada do Campeonato Mineiro, e Autuori ficou apenas com Jemerson na reserva.
 
Presente em todas as partidas do América no Campeonato Mineiro, Obina, que chegou a liderar a artilharia da competição, não atravessa seu melhor momento. 
 
Há praticamente um mês sem balançar as redes, amargando cinco jogos em branco, o jogador perdeu o posto de maior goleador do torneiro, até o momento, para Mancini, que fez sete pelo já eliminado Villa Nova e viu seu colega de equipe, o armador Tchô, marcar por seis vezes nos últimos seis jogos. O centroavante também soma seis gols na competição.
 
Com a equipe pressionada para marcar mais de três gols hoje para sonhar com a vaga na final, Obina terá a responsabilidade, ao lado de Tchô, de balançar as redes contra a equipe em que ganhou destaque em 2010. Pelo Atlético, foram 27 gols em 39 partidas.
 
Mudanças dos dois lados no clássico
 
Atlético e América entram em campo com times bem modificados esta noite. Além do lateral-direito Marcos Rocha e do zagueiro Leonardo Silva, suspensos, Paulo Autuori tem vários problemas de ordem médica. 
 
Recuperado de dores no joelho direito, Ronaldinho Gaúcho será poupado para o jogo de quinta, contra o Santa Fe, na Colômbia, pela Libertadores. Guilherme segue no meio de campo ao lado de Marion, atleta formado na base. 
 
Claudinei e Leandro Donizete também entram no setor, já que Diego Tardelli, Pierre e Josué devem ficar de fora. Josué tem uma pubalgia, e os outros dois sofrem com dores musculares.
 
No América, Moacir Júnior perdeu apenas o atacante Willians com o terceiro amarelo, mas, após o fracasso no jogo de ida, sinalizou que poderá optar por um esquema tático com três volantes em campo.
 
Com isso, o volante Leandro Guerreiro, improvisado na zaga nas últimas partidas, deve voltar para sua posição de origem e formar a trinca com Andrei e Diego Henrique, reforçando a marcação no meio de campo. Para compor o sistema defensivo, provavelmente, César Lucena será o titular. Outra opção de Moacir Júnior é escalar Elvis ao lado de Tchô na armação.