Uma noite movimentada no parque aquático do Barro Preto, bairro onde está localizada uma das sedes do Cruzeiro, onde os conselheiros celestes votaram e aprovaram o empréstimo de R$ 300 milhões para unificar a dívida do clube. 

Por pouco a votação não foi unânime. Dos 316 conselheiros presentes, inclusive o ex-presidente Gilvan de Pinho Tavares, apenas dois se opuseram ao plano financeiro apresentado pela nova diretoria. 

Gilvan foi a favor, mudando de opinião, mesmo tendo se mostrado contra ao empréstimo em um primeiro momento, inclusive em entrevistas recentes.

Esteve presente na sede do Cruzeiro, mas não participou da votação, o conselheiro nato Gustavo Gatti. Um dos grandes opositores da atual gestão encabeçada por Wagner Pires de Sá, Gatti justificou sua ausência na votação em assembleia por recomendação médica. Ele disse que passa por um tratamento de diverticulite, e por isso deixou o parque aquático antes do fim da reunião. 

“O empréstimo vai ser em torno de R$ 300 milhões, com um ano e meio de carência. Os juros que estamos pagando agora, de 1.6% passarão à 0.86% por mês, o que dá uma economia fantástica. E o pagamento em sete parcelas semestrais, em parcelas razoáveis para se compor e ir se consolidando”, explicou o vice-presidente do Conselho Deliberativo cruzeirense José Dalai Rocha. 

Dalai Rocha ainda comentou os próximos passos para a finalização do negócio. 

“Foi dado o passo final para o empréstimo. Os próximos passos são, talvez, a assinatura do contrato. Mas não tem previsão (do dinheiro entrar no caixa do clube). Mas os R$ 300 milhões vão existir. Era preciso o respaldo do Conselho para a decisão da diretoria. Mas não está assinado (contrato) ainda”, explicou.

O que disse o presidente?

O presidente do Cruzeiro, Wagner Pires de Sá, comemorou o fato de ter quase que por unanimidade recebido o apoio dos conselheiros do clube. E prometeu transparência no transcorrer das situações envolvendo o empréstimo.

"A partir de agora, os conselheiros vão saber de tudo que estamos fazendo, o cruzeiro está demonstrando ao próprio país e ao futebol brasileiro, que a gente tem condição de sair dessa dívida constante que passa o futebol, se continuarmos da maneria que está, teremos dois ou três times muito bem na fita e os demais pedindo, com o pires na mão. Apesar de eu ter nome pires no nome, vou ser se tiro ele da mão, deixar só no sobrenome. O que nós fizemos foi exatamente isso. Estamos negociando com empréstimos, com financeiamentos internacionais com taxas de juros baixíssimas, aproveitando o que eu chamo de 'efeito Bolsonaro', ou seja, o mundo está começando a olhar para o brasil com outros olhos, o dinheiro dinheiro que sempre foi arredio durante alguns anos no nosso governo, que não tinha confiança na legislação, não tinha confiança na capacidade de pagamento do brasil, hoje eles demonstraram e tem hoje confiança, principalmente no cruzeiro esporte clube, que é o maior patrimônio que nós temos hoje, que é essa camisa azul e essa camisa cinco estrelas, por isso estamos conseguindo financiamentos com condições excepcionalmente benéficas para o clube, vamos trocar dívidas que termos internamente com taxas de juros internas altíssimas, que chega em uma média de quase 2% ao mês, por uma de 0.68%, então foi uma grande vitória e graças a Deus nós tivemos a aprovação unânime do conselho. Na verdade, teve um voto contra. Dois. É bom isso, porque toda unanimidade é burra"


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