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Nem mesmo a intensa cobrança da torcida e da oposição faz o Conselho Deliberativo do Cruzeiro colocar em pauta assuntos de extrema importância para o clube. Tanto que a vital deliberação sobre a venda da Campestre 2, marcada para esta segunda-feira (3), dará a conselheiros que sequer deveriam estar nos quadros sociais o direito de opinar em assunto de tamanha relevância para a agremiação estrelada. 

A atual Mesa Diretora do Conselho Deliberativo faz vista grossa e evita tratar da expulsão daqueles que receberam dinheiro de forma irregular durante a gestão Wagner Pires de Sá, o que contrariou normas estabelecidas no Estatuto celeste.

Trinta conselheiros remunerados irregularmente entre 2017 e 2019 foram expulsos do Conselho, e quase todos (29) conseguiram, por decisão liminar, o direito de permanecer como membros do Conselho Deliberativo. 

A inércia e o silêncio dos comandantes da Mesa Diretora sobre o assunto geram pesadas críticas de opositores de Paulo Pedrosa, atual presidente do Conselho cruzeirense. 

"É importante sim discutir a expulsão dos conselheiros antes de votar assuntos tão relevantes, como a venda do imóvel (Campestre 2), por exemplo. Por mais que queiram silenciar essa situação dos conselheiros, ela é um espinho na garganta. É um espinho de peixe na garganta, e quem já passou por isso sabe o tanto que incomoda. Esses conselheiros ganharam uma liminar, que é uma decisão parcial e provisória. O único problema é o seguinte, para derrubar a liminar é preciso de um recurso. Será que o Cruzeiro está recorrendo disso", criticou o ex-presidente José Dalai Rocha, ex-presidente interino do Cruzeiro e ex-presidente do próprio Conselho Deliberativo.

Oposição ferrenha

Candidato à presidência do Conselho Deliberativo na eleição que alçou Pedrosa ao cargo, Giovanni Baroni também cobra atitude da posição. Ele questiona o "poder fiscalizador" da atual gestão da Mesa Diretora.

"Tão importante quanto votar a alienação do imóvel, não é importante também votar a expulsão do Wagner Pires de Sá (ex-presidente) e do Hermínio (Lemos, ex-vice-presidente administrativo)? Será que aprovar as contas de 2019, mesmo que com ressalvas, não é urgente? Definir a exclusão dos conselheiros também não é urgente? A torcida fala tanto em moralização, por isso o Conselho Deliberativo tem que se manifestar, a Mesa Diretora precisa trabalhar. Afinal, é ou não é um órgão fiscalizador?", questionou. 

Resposta de Pedrosa

Paulo Pedrosa foi questionado pela reportagem no dia 27 de junho sobre quando o Conselho Deliberativo retomaria a discussão pela expulsão dos conselheiros. Ele solicitou então que o tema fosse tratado pelo Hoje em Dia com a assessoria de imprensa do Cruzeiro, o que contraria o princípio de independência do órgão fiscalizador do clube.

O HD apurou que o presidente do Conselho Deliberativo recebeu orientações sobre o caráter independente do Conselho. Aí sim, três dias após a reportagem procurá-lo, ele enviou as respostas. 

Pedrosa disse que a Justiça ainda precisa discutir a situação dos conselheiros, tendo em vista que o assunto foi judicializado. "Neste momento este processo está sub judice, aguardando a decisão da Justiça, que ainda irá apreciar o mérito. Nós também estamos esperando por estas definições. E na parte que cabe ao Conselho Deliberativo formamos uma comissão e estamos aguardando a elaboração do novo Estatuto, que será muito importante para o clube e com certeza tratará desta matéria", disse ao HD

Aprovação das Contas de 2019

Além da discussão sobre a expulsão dos conselheiros há outro assunto esquecido no Conselho Deliberativo. Até hoje não houve conversas para aprovação das contas do ano de 2019. 

Há uma discussão do ponto de vista legal que apontava aos clubes a data de até 31 de julho para aprovar os números do balancete contábil da última temporada. E de acordo com o balanço financeiro do Cruzeiro no exercício de 2019, o clube fechou o ano com um déficit de R$ 394 milhões. Além de uma dívida superior a R$ 800 milhões. 

"Sabe o motivo de o Paulo Pedrosa não se manifestar sobre aprovar as contas do ano passado? Ele era o presidente do Conselho Fiscal na época em que o clube apresentou esses números incríveis, e que a própria imprensa apresenta como o maior rombo da história do futebol brasileiro. O Cruzeiro está passando vergonha com esse presidente do Conselho Deliberativo. Ele era do Conselho Fiscal no ano do maior vexame com esse prejuízo de R$ 394 milhões. Vai querer analisar conta", disparou Giovanni Baroni.

A posição oficial do Conselho Deliberativo é que há possibilidade de discutir o tema ainda neste mês. 

"Todos sabemos que do ano passado para cá o Cruzeiro passou por muitos problemas dentro e fora de campo. Naturalmente, alguns processos atrasaram, mas temos que reconhecer que são novos tempos no clube. Existe muita gente empenhada em reorganizar o Cruzeiro em todas as suas frentes, e eu peço o voto de confiança para o nosso torcedor. Creio que ainda em agosto o Conselho Deliberativo será convocado para aprovação, sendo que o Conselho Fiscal já tem o seu parecer e que será dividido assim que houver a convocação. Nossa torcida terá informações concretas dessa reunião por você citada, através da publicação do Edital de praxe. Aos poucos as coisas voltarão aos seus devidos lugares e o Cruzeiro retornará ainda mais forte", disse Paulo Pedrosa.