Falhas do VAR, questionamentos sobre o trabalho do árbitro, reclamações de um lado, de outro, ameaças a quem estava na ‘salinha do árbitro de vídeo’ no Mineirão. O clima prévio à finalíssima esquentou muito pelos episódios envolvendo o apito do jogo que definirá o campeão mineiro de 2019.

Na visão do Cruzeiro, esse ambiente “mais pesado” acontece por ações da diretoria atleticana, que na opinião do diretor de futebol celeste, Marcelo Djian, desde o apito final do primeiro jogo alguns dirigentes do arquirrival deram declarações que colaboram para um cenário de pressão sobre a arbitragem, que foi definida na tarde desta quarta-feira. O gaúcho Jean Pierre Lima apitará o confronto 

“Realmente está se fazendo de tudo para que o árbitro entre pressionado, principalmente da parte do adversário. Isso começou já no pós-jogo no Mineirão mesmo. Mas nós esperamos que seja um árbitro experiente. Sabemos que podem existir erros, mas que eles sejam minimizados. E que o vencedor não seja de um lance irregular”, disse Djian.

Sobre a pressão na arbitragem, um episódio negativo chamou a atenção no começo desta semana. O árbitro Igor Junior Benevenuto, auxiliar do VAR no primeiro jogo da final do Mineiro, disse à Rádio Itatiaia que recebeu ameaças pela internet por ter sido um dos profissionais ligados ao trabalho do Árbitro de Vídeo no último fim de semana.

“Mas estamos vendo pelas declarações de dirigentes adversários, que já falaram que no Independência o VAR será diferente, que a torcida estará lá e que não terão a mesma coragem que tiveram no Mineirão. Acho que o futebol não é isso, o futebol é maior que isso, e nós esperamos que a arbitragem tenha a tranquilidade, a serenidade, principalmente a idoneidade para fazer bom trabalho. E que o futebol seja ganho dentro de campo com os 22 atletas, e é isso que o Cruzeiro está esperando da última partida no sábado”, declarou o dirigente celeste.

Prejudicado x beneficiado

Marcelo Djian também comentou sobre os questionamentos sobre benefícios ao Cruzeiro no primeiro jogo, já que os atleticanos reclamam um pênalti não marcado no zagueiro Igor Rabello em lance com o defensor celeste Dedé.

“Com o uso do VAR a cobrança está sendo maior ainda e o Cruzeiro sabe que existem erros a favor, erros contra, e sabemos também que isso tem que ser levado em conta. Nós estamos indo para uma final onde está sendo dirigida uma pressão de que no primeiro jogo o adversário foi prejudicado e nós, Cruzeiro, o beneficiado. Não pensamos dessa maneira, existiu erros das duas partes, acertos para os dois clubes”, ponderou.

E o Cruzeiro, mesmo sendo o vencedor do jogo, também reclamou de lances em que se viu prejudicado no clássico.

“Analisando pelo nosso lado o gol do Fred teria que ser válido. Fred fez um movimento natural de cabeceio, não quis colocar a mão na bola. Se você observar bem, antes do cabeceio há uma carga do zagueiro adversário no ombro dele. O mais interessante, e eu não vi alguém falar, é que nenhum adversário reclamou. Eles estavam prontos para dar a saída de bola, mas foi o VAR que viu, interpretou, é um lance interpretativo, poderia ter dado o gol para nós, mas acabou invalidando. No nosso modo de vista foi um erro”, apontou o dirigente, que ainda citou um outro lance que o clube considerou desfavorável ao Cruzeiro.

“Teve um lance do Dedé também no primeiro tempo. Ele foi empurrado pelo adversário dentro da área logo no começo do jogo. Pelo nosso lado basicamente foi isso em que achamos que não houve acerto (da arbitragem)”, explicou.

Análise de Fred

O próprio atacante Fred, após a partida do último domingo, admitiu que a bola havia tocado em sua mão. No entanto, também ressaltou o lance envolvendo o zagueiro Leonardo Silva.

“A bola realmente tocou na minha mão, mas o Léo (Silva, zagueiro do Atlético) também fez carga no meu ombro, aí é uma confusão danada", reiterou o atacante.