A Copa do Brasil seduziu Rogério Ceni. Por mais que a situação cruzeirense nas semifinais da competição seja muito complicada, pois perdeu o jogo de ida, na semana passada, no Mineirão, por 1 a 0, e precisa vencer o Internacional, dia 4 de setembro, no Beira-Rio, em Porto Alegre, por pelo menos um gol de diferença, para ter a chance de chegar à decisão do torneio pela terceira vez consecutiva, o novo treinador celeste chega à Toca da Raposa II na manhã desta terça-feira carregando uma certeza: “Ainda tem jogo”.

Foi assim que ele definiu para a diretoria cruzeirense a situação do time na competição, que ironicamente, entre as principais que são disputadas atualmente pelos clubes brasileiros, é a única que ele não venceu como jogador vestindo a camisa do São Paulo.

Rogério Ceni foi bicampeão do mundo (1993 e 2005), bicampeão da Libertadores (1993 e 2005), bicampeão da Recopa Sul-Americana (1993 e 1994), tricampeão brasileiro (2006, 2007 e 2008) e campeão da Copa Sul-Americana (2012) pelo tricolor do Morumbi.

A Copa do Brasil ele decidiu apenas uma vez. Contra o Cruzeiro, em 2000. E viveu uma das duas grandes decepções da sua carreira, ao sofrer, aos 44 minutos do segundo tempo, de falta, o gol, marcado por Geovanni, que lhe tirou o primeiro grande título como titular do São Paulo, condição que assumiu em 1997 com a ida de Zetti para o Santos.

A segunda grande decepção de Rogério Ceni como jogador foi vivida diante do Internacional, no Beira-Rio, numa situação idêntica a que ele enfrentará em 4 de setembro como treinador do Cruzeiro, pois o Colorado tinha vencido a ida, no Morumbi, por 2 a 1. Na final da Libertadores de 2006, quando o São Paulo e ele buscavam o bicampeonato continental em sequência, o camisa 1 do tricolor falhou feio no primeiro gol do adversário no empate por 2 a 2 que deu a taça aos gaúchos.

Treinador

Agora treinador, Rogério Ceni tem como sedução na troca do Fortaleza pelo Cruzeiro justamente a Copa do Brasil, pois três jogos separam a Raposa da taça, apesar de toda a dificuldade nesta semifinal. E no seu caminho está o Beira-Rio, para encarar um Internacional que joga com a vantagem de ter vencido o jogo de ida, fora de casa, por um gol de diferença.

Dirigindo o carrasco da primeira grande decepção como goleiro titular do São Paulo, no mesmo palco e diante do mesmo adversário que lhe impôs a segunda, Rogério Ceni viverá em 4 de setembro o maior desafio da sua curta carreira de treinador. E isso só acontecerá porque para ele, apesar de toda a fragilidade demonstrada pelo time do Cruzeiro nos últimos meses e da derrota de 1 a 0 no jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil: “ainda tem jogo”.