O título de campeão brasileiro de 2021 não foi muito diferente das conquistas da Libertadores e da Copa do Brasil. Teve sabor de mata-mata, com direito a viradas espetaculares que eternizaram a expressão "Eu acredito!".

Esse mantra foi novamente evocado, ainda que soubéssemos que tínhamos mais duas partidas para virar a página da história e sagrar campeão. Ele apareceu assim, involuntariamente, como se fizesse questão de unir esses momentos.

O Galo foi mágico. Fez mais uma vez o inacreditável acontecer. Em cinco minutos, três gols. Um atrás do outro, diante de 30 mil torcedores do Bahia.

Como não é por acaso, saiu dos pés de um filho daquela terra o gol do título. Salvador. A capital baiana não poderia expressar melhor o sentimento do atleticano.

Além de palco de cinco minutos sublimes, como se tivéssemos entrado em outra dimensão,  passando a sermos donos do tempo, um deus Cronos fazendo a bola ir de pé em pé até estufar as redes, Salvador nos livrou de uma maldição. 

Um peso difícil de suportar, após quase 50 anos de espera, pautados por injustiças dentro e fora de campo, de momentos em que Deus parecia contra a gente. Quantas lágrimas de tristeza foram derramadas, nos fazendo cada vez mais cascudos, calejados pela eliminação. 

Mesmos esses, impassíveis, não resistiram à Grande Virada. Três lances, três gols. O senhor destino entrou em ação e colocou pirlimpimpim nos pés de Keno, deus terreno e nome que agora figura entre os craques eternos do Atlético.

Se uma imagem pode resumir essa força celestial é aquela em que, no jogo anterior, Keno e Hulk batem peito no ar, parados no tempo, como o beija-flor de Dadá em 1971.