A crise do Cruzeiro tem gerado uma grande aflição à torcida celeste, evidenciada nos grupos de Whats App e nas redes sociais. Existe um temor de que o time, que já emanava uma má fase dentro de campo – são cinco partidas consecutivas sem vitória –, sinta o golpe de seus bastidores e siga o caminho do Internacional em 2016, quando uma série de fatores influenciou no rebaixamento do clube gaúcho. Mas será que essa comparação tem fundamento? Confira abaixo e tire suas próprias conclusões.

Gestão questionada
No fim de 2014, Vitorio Piffero assumiu a presidência do Inter, provocando várias cisões dentro do clube. Brigas políticas eram frequentes, assim como protestos de torcedores e até mesmo jogadores se voltando contra o mandatário nos últimos meses de 2016. No ano passado, algo semelhante aconteceu com o início da gestão de Wagner Pires de Sá e seu braço direito, o vice-presidente de futebol Itair Machado. A oposição foi tanta a ponto de membros da antiga gestão, antes a favor de Wagner, se voltarem contra ele, casos do ex-presidente Gilvan de Pinho Tavares, o ex-vice Bruno Vicintin e o ex-gerente Tinga.

Saída de um importante nome estrangeiro
Em 2016, o Colorado sentiu a falta de seu maestro, o argentino D’Alessandro, emprestado ao River Plate. Nenhum atleta do time tinha a qualidade e as características do hermano. No começo deste ano, o Cruzeiro perdeu Arrascaeta para o Flamengo. Mesmo que não tenha o mesmo peso que D’Alessandro, até hoje o time celeste sente falta de um velocista com o mesmo poder de decisão do uruguaio, nome crucial no bicampeonato da Copa do Brasil (2017 e 2018).

Conquista mascarou problemas
Três anos atrás, o Inter conquistava o hexacampeonato estadual, o que mascarou várias deficiências da equipe. O Cruzeiro angariou o bi mineiro neste ano: depois disso e da vitória sobre o Deportivo Lara, na Libertadores, iniciou um período de queda vertiginosa. Já são cinco jogos sem vencer, incluindo Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores.

Recorde
O Internacional alcançou uma marca histórica em 2016, com seu melhor início na Era do Pontos Corridos: 19 pontos, frutos de seis vitórias, um empate e uma derrota nas oito primeiras rodadas. Depois, iniciou um período amargo na competição. Já o Cruzeiro conquistou seu milésimo ponto na Série desde 2003 no último dia 5, nos 2 a 1 sobre o Goiás, no Mineirão. Foi o último triunfo da equipe na temporada.

Jejum
É verdade que o tabu de vitórias atual da Raposa na temporada não chega perto do que o Inter fez em 2016, quando chegou a ficar 14 jogos sem vencer. Porém, serve de alerta. No próximo domingo (2), o adversário é o São Paulo, no Morumbi.

Superestimado?
O hexa gaúcho e o início avassalador do Brasileiro deram uma falsa impressão à torcida colorada, que, gradativamente, viu que o time não era tão bom quanto se pensava. O atual elenco celeste tem, sim, grandes atletas, mas vários estão jogando com nome, e muitos começam a ser questionados.

Reforços que não renderam
No Inter de 2016, reforços como Seijas, Nico López, Eduardo Henrique e Ceará não renderam naquele ano. No Cruzeiro atual, o caso se repete com jogadores como Rodriguinho e Pedro Rocha.

Problemas financeiros
Talvez a grande diferença esteja na questão financeira. A reportagem exibida pelo Fantástico, da Rede Globo, nesse domingo (26), evidenciou uma gama de problemas gravíssimos dentro clube, desde lavagem de dinheiro até falsidade ideológica. No Inter, as coisas eram – e são – mais transparentes. Mesmo assim, no final de outubro do ano passado, o Conselho Deliberativo do Internacional puniu por dez anos quatro ex-dirigentes do clube. O ex-presidente Vitório Piffero e seus vices (Pedro Affatato, Emídio Marques Ferreira e Alexandre Limeira) foram julgados por uma série de irregularidades cometidas na gestão deles, que teve como marca maior a queda do Colorado para a Série B em 2016. Eles foram condenados por justificarem gastos com notas de empresas interligadas e algumas delas sequenciais. Além disso, foram contratados os serviços de empresas das famílias de alguns deles. Contra Limeira foi apresentado ainda um gasto exagerado com o cartão corporativo do clube.

Mudanças no comando
Esta é outra situação distinta. O Inter teve cinco técnicos no ano, sendo que nenhum deles deu resultado: Argel Fucks, Falcão, Fernando Carvalho, Celso Roth e Lisca. Na Raposa. Mano Menezes é soberano – embora a fase do time esteja longe de ser boa (o Cruzeiro beira a zona de rebaixamento) e os celestes venham sendo rotulados como ‘equipe previsível’ dentro de campo.

(Com Alexandre Simões)