A declaração do vice-presidente de futebol do Cruzeiro, Itair Machado, de que o Mineirão mandou uma notificação ao clube falando sobre a possibilidade de rompimento do contrato que existe entre as duas partes, é apenas mais uma das centenas que já foram enviadas à diretoria cruzeirense pela administração da arena nos últimos anos. A fala do dirigente foi no programa 98 Esportes, da Rádio 98, na manhã desta terça-feira (9).

“O Mineirão fez uma ação de cobrança da dívida. Como qualquer contrato, uma inadimplência pode acarretar realmente numa rescisão. Mas das centenas de notificações que a gente manda para o Cruzeiro, a gente sempre destaca que ele corre o risco de perder esse contrato. E como o próprio Itair Machado falou hoje na 98, é um contrato muito bom para o Cruzeiro”, revela Samuel Lloyd, diretor do Mineirão.

Segundo ele, a intenção é sempre pelo diálogo e pela manutenção do contrato de parceria, mas pela inadimplência de cinco anos do Cruzeiro, há sim possibilidade legal para o rompimento do contrato e inclusive com o Mineirão cobrando a multa, que é por volta de R$ 10 milhões.

Isso faria aumentar ainda mais a dívida cruzeirense com a administração do Gigante da Pampulha. Hoje, o clube já deve quase R$ 26 milhões pois na gestão do presidente Gilvan de Pinho Tavares o Cruzeiro parou de pagar as despesas dos jogos logo após o Atlético jogar no Mineirão, a final da Libertadores de 2013, numa data que era do Governo de Minas e que previa esse tipo de benefício.

O então presidente achou que isso dava ao Cruzeiro o direito de não pagar as despesas dos seus jogos como mandante porque o contrato com o Mineirão prevê que qualquer vantagem que outro clube tenha jogando no estádio, ela estará automaticamente incorporada ao contrato cruzeirense.

A batalha judicial entre as duas partes já dura alguns anos e o Cruzeiro tem sofrido derrotas seguidas na justiça.

Limite

Samuel Lloyd garante que a situação tem chegado ao limite para o Mineirão: “A gente precisa que o clube se posicione. Ele simplesmente ignora nossas cobranças. Está chegando ao limite. Não podemos mais tirar do nosso bolso para pagar os jogos do Cruzeiro. É isso o que acontece. O Cruzeiro vai lá, joga, pagamos por toda a operação, segurança, limpeza, brigadistas, o clube vai embora com a renda líquida dele, sem pagar um real para a gente e falando que está indo super bem para o torcedor”.

CONFIRA A NOTA OFICIAL DO CRUZEIRO SOBRE O ASSUNTO:

O Cruzeiro Esporte Clube vem a público se manifestar a respeito de declarações dadas nesta terça-feira, 9 de abril, em diversos veículos de comunicação pelo Sr. Samuel Lloyd, diretor da Minas Arena, envolvendo o contrato em vigência entre o Clube e a concessionária que está responsável pela gestão do estádio Mineirão.

Em suas declarações, Samuel alega que o Cruzeiro não teria repassado à concessionária um montante que ultrapassa os R$ 26 milhões, valor contestado pelo Clube, relacionado ao custo operacional de seus jogos no estádio.

Devido ao contrato de fidelidade firmado pelas partes no ano de 2012, o Clube possui a prerrogativa de analisar as condições que a Minas Arena oferece para que outros clubes atuem no estádio e, caso queira, adotar este modelo desde então.

Desta forma, desde o mês de julho de 2013, após o Atlético-MG atuar no Mineirão sem a necessidade de pagar pelos custos operacionais em uma partida, o Cruzeiro – se baseando no contrato – entendeu que tinha o direito do mesmo tratamento e a questão entrou na esfera judicial, na qual permanece.

Diferentemente dos valores declarados por Samuel Lloyd, o Cruzeiro acredita que o atual montante esteja na casa de R$ 18 milhões, motivo de nova contestação judicial, uma vez que a Minas Arena alega que o valor chega a R$ 26 milhões. O Clube ainda esclarece que, desde junho de 2016, 25% da renda líquida em todos os seus jogos são depositados em juízo, valor este acumulado em mais ou menos R$10 milhões.

Cabe ressaltar que o montante relacionado à atual gestão administrativa do Cruzeiro Esporte Clube, do triênio 2018-2020, presidida por Wagner Pires de Sá, está na casa de R$ 1,8 milhão.

O Cruzeiro reitera que, mesmo tendo voltado a pagar por tais despesas, isso não significa que o Clube concorde com o que é cobrado pela Minas Arena, mas, sim, uma sinalização pela busca de uma melhora na relação cotidiana com a concessionária.

O Clube ressalta que, apesar de algumas declarações de Samuel Lloyd darem a entender que a Minas Arena poderia ter prejuízo devido à parceria, a concessionária possui diversas fontes de receitas que só são estimuladas pelos jogos do Cruzeiro, entre elas 2/3 do lucro do estacionamento e dos bares, exploração publicitária de forma exclusiva do espaço do estádio que não sejam placas no gramado, venda de cerca de 6 mil ingressos nas áreas nobres do Mineirão, comercialização dos camarotes e de pacotes anuais de ingressos, uma vez que o Cruzeiro é o único clube que garante ao estádio um calendário fixo de eventos durante todo o ano.

Por mais que o discurso por parte da concessionária e de seu principal representante seja o de cumprimento de contrato, é de conhecimento público que a Minas Arena vem sendo alvo de investigações e denúncias em órgãos especializados, como a CPI da Minas Arena, requerida pelo deputado estadual Léo Portela, que será submetida à apreciação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.