O Cruzeiro emitiu, na noite desta quarta-feira (2), uma nota oficial afirmando que não encontrou provas robustas sobre um esquema de desvio e venda de material esportivo, denunciado pelo ex-superintendente de Relações Internacionais do clube, Léo Portela.

No texto, a Raposa afirma que recebeu a informação sobre a suposta irregularidade em junho, instaurando um processo de investigação interna logo em seguida, com a participação do próprio Portela, que na época ainda fazia parte da diretoria estrelada.

Ainda de acordo com o clube estrelado, a apuração durou até o mês de julho, não sendo encontradas provas robustas que comprovassem tais práticas.

No comunicado, o Cruzeiro afirmou que é parte interessada na divulgação das provas que Léo Portela afirma ter sobre os desvios.

"O Clube, inclusive, é parte interessada na divulgação de provas por parte do Sr. Léo Portela, já que, como associado, ele tem o direito e o dever de levar aos órgãos competentes os documentos que ele acredita configurarem práticas irregulares e/ou criminosas, que lesem a instituição", disse a diretoria executiva da Raposa na nota.

As denúncias 

Na última terça, em entrevista ao canal "Somos Gigantes", no Youtube, o deputado estadual, que deixou o cargo no Cruzeiro  em outubro, afirmou que constatou as irregularidades ao lado de Milton Santos, ex-funcionário do clube, que atuava no setor de segurança.

"Vi muita coisa errada e vou revelar em primeira mão algo que estava acontecendo. Eu estava participando da investigação de um esquema de escoamento de material esportivo, desvio de material esportivo dentro do Cruzeiro. Eu estava participando desta investigação junto com o Miltão da segurança. Nós conseguimos na investigação deste esquema chegar até o cabeça. Nós conseguimos traçar o passo a passo do escoamento do material esportivo, do prejuízo do Cruzeiro, da máfia que existe no sentido de comercialização de material esportivo dentro do clube".

Em entrevista o ge.globo, Portela ainda acusou Benecy Queiroz, atual supervisor administrativo da Raposa, de ser conivente com o esquema.

"Tudo isso estava sob a minha responsabilidade. Quando nós encontramos ali um nexo causal que chegava às portas do Benecy, isso foi tirado de mim. Essa investigação foi tirada de minha responsabilidade. Posteriormente, o Milton saiu do clube. Isso me trouxe um descontentamento, uma revolta muito grande. Nós enxergamos claramente e com toda a materialidade possível um esquema pesado de desvio, de roubo, de material esportivo e chegava até a responsabilidade de Benecy. No mínimo, haveria a chamada 'culpa in vigilando', que é a culpa do Benecy por ele não ter vigiado da maneira correta algo que estava sob sua responsabilidade", completou o deputado.

Ainda na tarde desta quarta, Benecy se defendeu da acusação e afirmou, ao ge.globo, que vai instaurar um procedimento na Jusitça contra Léo Portela, para que o deputado prove as acusações. 

Por fim, ainda no comunicado divulgado nesta quarta, o Cruzeiro negou que a saída de Milton Matos não tem qualquer relação com as denúncias reveladas por Léo Portela.  

"O Cruzeiro também reitera que a saída do Sr. Milton Matos, que serviu o Clube por muitos anos com muito profissionalismo e dedicação no departamento de segurança, se deu apenas por um final de ciclo profissional, não tendo absolutamente qualquer relação com a situação relatada pelo Sr. Léo Portela. Tanto que o ex-colaborador Milton Matos ainda mantém contato cordial com diversos profissionais do Clube, inclusive da diretoria, no dia a dia".

O Hoje em Dia tentou contato com Léo Portela para repercutir a nota oficial emitida pelo Cruzeiro, mas não obete retorno até o momento.