Cruzeiro encampa ação por empoderamento feminino no Dia da Mulher e dá exemplo em universo machista

Guilherme Guimarães
gguimaraes@hojeemdia.com.br
08/03/2017 às 11:00.
Atualizado em 15/11/2021 às 13:39

O futebol faz parte de um dos universos mais machistas da sociedade, mas o poder que tem essa modalidade no contexto social fez com que um clube de massa fosse procurado por uma ONG para encampar ação reflexiva sobre o empoderamento feminino, justamente no Dia Internacional da Mulher. 

Diante do Murici-AL, pela terceira fase da Copa do Brasil, o Cruzeiro usará nesta quarta-feira, a partir das 21h45, no estádio José Gomes da Costa, no interior alagoano, camisas com nensagens alusivas à luta em prol das mulheres e contra a violência. O uniforme dos atletas mostrará estatísticas atuais envolvendo o cotidiano feminino e a busca por igualdade em relação ao universo masculino. 

"A cada 11 minutos um estupro; a cada dez jovens, 8 sofreram assédio; a cada 2 horas uma (mulher) é morta; três em cada 10 já foram beijadas à força; apenas 9 em cada cem deputados; não há vereadoras em 23% dos municípios" são algumas frases que estamparão o uniforme celeste na noite desta quarta-feira. 

A campanha, iniciativa da agência New 360, da ONG Azmina, que batalha pelo empoderamento feminino, foi muito bem recebida pelo Cruzeiro e pela Umbro, fornecedora de material esportivo da Raposa. O grupo lançou a hashtag "Vamos Mudar os Números" para conscientizar qual a realidade das mulheres atualmente no Brasil. (veja abaixo)Divulgação/ Cruzeiro

"Procurávamos um clube que aceitasse a ideia e que nos ajudasse a fomentar ainda mais essa luta. O Cruzeiro aderiu com muito gosto ao movimento, se mostrou muito engajado na questão e isso nos deixou extremamente satisfeitos. O clube amou de imediato a ideia. O futebol é um universo muito machista, mas por ser um esporte de massas consegue passar a mensagem de forma rápida a um imenso grupo de pessoas", disse ao Hoje em Dia a diretoria institucional da ONG Azmina, Letícia Bahia.

Ainda segundo Letícia, a parceria com o Cruzeiro veio a calhar. "Tomamos conhecimento que o Cruzeiro buscava uma ação especial para o Dia Internacional da Mulher, e essa nossa ideia, na realidade, não estava prevista para a data. Mas a oportunidade de unir forças para divulgar a campanha foi congruente, queríamos um clube e o Cruzeiro a ideia", destacou. 

A ideia da campanha não ficará apenas, literalmente, no campo de jogo. O trabalho que foi iniciado na manhã do dia 8 de março de 2017 terá desdobramentos. "A campanha começou no início do dia com um excelente retorno, vários elogios sendo publicados nas redes sociais dos torcedores cruzeirenses e até dos adversários históricos, os atleticanos. Esperamos um engajamento muito grande da campanha e depois vamos mensurar os dados. A ideia é que a conversa continue. Cada frase na camisa do jogador será um desdobramento. Os atletas serão nossos abre alas e depois a gente aprofunda com o jornalismo. O Cruzeiro tem muito holofote", explicou Bahia, que cita outro detalhe do trabalho.

"Vamos ter um pós-campanha, com, quem sabe, um vídeo de como foi a recepção dos atletas e da campanha durante o jogo. Se antes da partida a gente consegue conversar com o público do futebol, depois haverá um dimensionamento maior dessa conversa", disse Letícia Bahia à reportagem.

Palavra oficial

Presidente do Cruzeiro, Gilvan de Pinho tavares acredita que ações dessa natureza expõe a importância que o clube dá em diversos cenários da sociedade.

"O Cruzeiro Esporte Clube tem participado de diversas campanhas contra qualquer tipo de preconceito. Em pleno século XXI, não é tolerável ver as mulheres sofrerem atos de violência e discriminação. Com esta ação, nos juntamos a todos que combatem as desigualdades contra pessoas do sexo feminino. Esse é um dos papeis sociais que os clubes de grandes torcidas precisam sempre estar desenvolvendo", disse Gilvan ao site oficial da Raposa. 

Um dos responsáveis por encampar o trabalho e dar a devida importância à ação, o diretor de Marketing do Cruzeiro, Marcone Barbosa, ressalta o tamanho do trabalho existente na luta pela igualdade da mulher. "O Dia Internacional da Mulher não é um momento apenas de trazer à tona toda a característica de desigualdade que ainda existe no Brasil e no mundo, mas também é um momento de conscientização de outros aspectos relacionados à mulher. Alguns dos números que vamos destacar têm a ver com o cuidado da mulher com a saúde, com o próprio corpo. É importante a gente ter um momento desse, onde você pode trazer à tona assuntos tão importantes e relacionados à mulher", destacou em entrevista ao site oficial do clube. 

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