A surpreendente contratação de André Mazzuco para o cargo de diretor de futebol do Cruzeiro, anunciada pelo clube estrelado nesta terça-feira (5), aumenta a rotatividade no cargo nos últimos meses.

Mazzuco será o quarto dirigente a exercer a função de homem forte do futebol da Raposa na temporada.

Com o iminente fracasso do time celeste em conseguir alcançar o acesso à primeira divisão, o novo dirigente estrelado já chega à Toca da Raposa II com a missão de já iniciar o planejamento e a montagem da equipe para as próximas competições.

André vem para tentar ter mais sucesso que seus três antecessores, que não conseguiram ter sucesso à frente do futebol do Cruzeiro em 2020.

Entre um nome pouco conhecido em Minas Gerais, um profissional experiente no cenário nacional e uma aposta pessoal do presidente, o certo é que nenhum deles conseguiu êxito na missão de montar um time que fosse capaz de levar o Cruzeiro à disputa da Série A em 2021.  

André Mazzuco, diretor de futebol do CruzeiroAndré Mazzuco foi oficializado como novo diretor de futebol do Cruzeiro nesta terça-feira (5)

Ocimar Bolicenho

O primeiro a exercer a função nesse ciclo foi Ocimar Bolicenho. Desconhecido da maior parte dos torcedores celestes, Bolicenho desembarcou em Belo Horizonte no início de janeiro de 2020, vindo do Londrina-PR, com a missão de promover a reformulação de um elenco que acabara de ser rebaixado à Série B do Brasileirão.

Em meio a maior crise econômica da história da instituição, o dirigente, juntamente com a comissão técnica, então liderada pelo treinador Adilson Batista, montou um plantel com vários jogadores da base do clube, com acréscimo de algumas contratações, que acabaram, naquele momento, agregando pouco ao time.

Além de ter que ir ao mercado, o que o fez , no início, com a ajuda de Alexandre Mattos, recém-demitido do Atlético, Bolicenho também foi um dos responsáveis por realizar acordos para saídas de jogadores que recebiam acima do teto salarial estipulado pela diretoria para esta temporada.

As atuações ruins no Campeonato Mineiro - com o time fora da zona de classificação para as semifinais - e na Copa do Brasil, custaram o emprego de Ocimar e Adilson, demitidos após a derrota por 1 a 0 para o Coimbra, no dia 15 de março, no último jogo antes da paralisação do futebol pela pandemia de coronavírus.   

Entre as contratações realizadas por Ocimar Bolicenho estão a dos contestados João Lucas e Roberson, que já deixaram o clube, e as de Filipe Machado e Ramon, atuais titulares do time comandado pelo técnico Felipão.

Drubscky

Para exercer a função de Bolicenho, o Conselho Gestor (que comandou a Raposa de dezembro de 2019 a maio de 2020) promoveu Ricardo Drubscky, que estava no comando das categorias de base do clube.

De cara, Drubscky foi determinante na contratação do técnico Enderson Moreira, com o intuito de repetir a parceria vitoriosa dos tempos de América, que garantiu, inclusive, o título da Série B ao Coelho, em 2017.

Apesar do início promissor no Brasileiro, com o time celeste vencendo os três primeiros jogos, descontando os seis pontos negativos, relativos a uma punição da Fifa, o dirigente não conseguiu colher muitos frutos no trabalho.

A queda de rendimento do time celeste na competição custou a demissão de Enderson no início de setembro.

Nesse momento, mesmo tendo participado da contratação do técnico Ney Franco, o dirigente já não tinha o mesmo respaldo e a mesma influência junto ao presidente Sérgio Santos Rodrigues, que havia tomado posse em junho.

Rodrigues, inclusive, via em Deivid , então diretor técnico do clube, o principal nome para comandar o departamento de futebol.

Nesse cenário, pouco prestigiado, Ricardo Drubscky deixou o Cruzeiro no dia 1º outubro.

Entre os acertos de Drubscky estão a reintegração do zagueiro Manoel, e a contratação de Rául Cáceres, que são destaques do time na Série B. 

Entretanto, a frequente oscilação entre o time sub-20 e o profissional de algumas promessas do clube, como o meia-atacante Caio Rosa, já negociado com o futebol árabe, foi um fator questionado na gestão do dirigente.

Outra polêmica se deu em relação à jogadores que foram afastados das atividades com o restante do grupo, como o atacante Welinton, e o lateral-esquerdo Giovanni, e poucos dias depois reintegrados ao elenco, inclusive, sendo utilizados nas partidas. 

drubsckyRicardo Drubscky foi o diretor de futebol do Cruzeiro entre março e o final de setembro 

Deivid

Alçado ao cargo de diretor de futebol, Deivid teve a passagem no cargo muito contestada por parte da torcida celeste.

Assim como ocorreu na gestão de seu antecessor, críticas sobre a montagem do elenco, especialmente sobre contratações, dispensas e reintegrações de jogadores que pouco agregaram ao plantel, marcaram a gestão do ex-atacante.

Ainda com Drubscky como titular da pasta, mas com Deivid já ativo nas decisões do futebol, escolhas como as reintegrações de jogadores que participaram do rebaixamento e retornaram ao time na Série B, mas sem conseguir apresentar um bom rendimento em campo, estão entre as ações mais contestadas. Os casos de Sassá, Marquinhos Gabriel e Jadson ilustram essa situação.

O não aproveitamento do atacante Zé Eduardo, mesmo com a má fase dos centroavantes, após o Cruzeiro ter solicitado o retorno, então emprestado ao América-RN, inclusive, cedendo uma fatia dos direitos econômicos do jogador ao time potiguar, foi outra situação alvo da cobrança da torcida celeste. 

O mau desempenho do time no Brasileirão, que, além de nunca ter conseguido se aproximar do G-4, ainda chegou a brigar contra o rebaixamento, aumentaram muito a pressão sobre a diretoria celeste, especialmente em cima de Sérgio Santos Rodrigues e do próprio Deivid.

Mesmo com a pressão, o presidente da Raposa manteve o ex-jogador no clube, mas no cargo de diretor técnico, o mesmo que exercia antes de ser promovido.

Deivid diretor de futebol do CruzeiroDeivid foi alçado ao cargo de diretor de futebol em outubro, permanecendo até o início de janeiro de 2021