Carregando nas costas o peso das crises financeira e política que atingem o clube. Assim a comissão técnica e os jogadores do Cruzeiro voltaram aos trabalhos na tarde de ontem, na Toca da Raposa II, depois de 11 dias de férias por causa da parada para a disputa da Copa América, que tem o Brasil como sede.
 
Na previsão orçamentária de 2019, a diretoria cruzeirense colocou em R$ 90 milhões a arrecadação esperada na temporada com a premiação pelos feitos nas três principais competições que o clube disputa (Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil).
 
Até agora, a Raposa tem na conta pouco mais de R$ 20 milhões, sendo R$ 5,6 milhões da Copa do Brasil e cerca de R$ 15,5 milhões da Libertadores. No Brasileirão, é 18ª colocada. Ocupa a zona de rebaixamento e precisa mudar este cenário não só para evitar a inédita queda para a Série B, mas também para embolsar os prêmios que são pagos de acordo com a posição na classificação. Isso influenciará também em parte da cota de televisão para a próxima temporada.
 
Título
 
Com salários e premiações atrasados, o Cruzeiro briga entre 11 e 30 de julho por cerca de R$ 11 milhões a mais no seu cofre. Diante do Atlético, na Copa do Brasil, a vaga nas semifinais vale R$ 6,7 milhões. Logo após os confrontos com o maior rival, a Raposa encara o River Plate, da Argentina, brigando pela presença nas quartas da Libertadores e por mais R$ 4,6 milhões como cota pelo jogo em que será mandante.
 
É impossível para o Cruzeiro atingir a marca dos R$ 90 milhões previstos no orçamento sem vencer a Libertadores, que paga cerca de R$ 45 milhões ao seu campeão, ou a Copa do Brasil, onde a taça vale R$ 52 milhões.
 
Política
 
Além da responsabilidade financeira, que não é pequena, a política também é enorme. Os confrontos contra Atlético e River Plate e a saída da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro são fundamentais para que a atual diretoria tenha pelo menos chances de ser manter à frente do clube.
 
A importância dos confrontos pelas Copas do Brasil e Libertadores na crise política fica evidente na batalha entre o presidente do clube, Wagner Pires de Sá, e o do Conselho Deliberativo, Zezé Perrella, pela data da reunião em que os conselheiros analisarão os esclarecimentos da diretoria em relação às várias denúncias que atingem o clube há um mês.
 
Em 15 de junho, Perrella divulgou uma carta em que pedia o afastamento de Pires de Sá e parte da sua diretoria e convocando uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, para tratar desse afastamento, para dois dias depois, uma segunda-feira.
 
No dia 17 de junho, o presidente do Conselho Deliberativo mudou a data da reunião. Sua alegação era de que não estava sendo respeitado o prazo legal, de no mínimo 15 dias, e que o time teria compromissos importantes em julho. Por isso, ele remarcou o encontro dos conselheiros para 5 de agosto, depois de o Cruzeiro encarar Atlético e River Plate, pelas Copas do Brasil e Libertadores, respectivamente.
 
A reação de Wagner Pires de Sá foi rápida. E ele, como presidente do clube, convocou a reunião do Conselho Deliberativo para 8 de julho, três dias antes de o Cruzeiro iniciar sua maratona decisiva do próximo mês recebendo o Atlético, no Mineirão.
 
Está claro que a grande preocupação é tirar o desempenho da equipe de Mano Menezes, nos mata-matas pelas Copas do Brasil e Libertadores, de uma reunião tão importante, que pode definir o futuro da diretoria.
 
É neste cenário que o time do Cruzeiro reinicia a temporada. Carregando nas costas a pressão pelas crises econômica e financeira do clube.