O temperamento tranquilo no dia a dia na Toca da Raposa reflete o estilo do volante Henrique. Talvez pelas aulas de ioga praticadas pelo jogador, de 29 anos. Não por acaso, ele é considerado pelos companheiros como uma das figuras mais serenas do grupo cruzeirense. 
 
A calma, no entanto, fica restrita apenas fora das quatro linhas. Dentro de campo, Henrique se caracterizou como um verdadeiro “cão de guarda” do meio campo do time estrelado. O volante é o segundo maior ladrão de bolas do Brasileirão, ficando atrás somente de Gabriel, do Botafogo. Já foram 62 roubadas até aqui, que o coloca no topo dos atletas da Raposa que mais receberam cartão amarelo na competição (sete no total).
 
A ótima fase do jogador é representada no desempenho do Cruzeiro. Nas 26 rodadas disputadas pela equipe, Henrique esteve presente em 21 e o rendimento é favorável. Com o volante em campo, a Raposa abocanhou 15 vitórias, empatou quatro e perdeu apenas duas, um aproveitamento de 77,7%.
 
Nas cinco partidas em que Henrique ficou fora, os celestes somaram duas vitórias, empataram uma e perderam outras duas, um rendimento de apenas 46,6%. “O Henrique é um cara espetacular, brincalhão, de grupo, que está sempre nos ajudando. Dentro de campo não tem nem o que falar. Não por acaso ele é o maior ladrão de bolas do nosso time nesse Brasileiro. O jeito de fora dele reflete dentro”, disse o jovem atacante Alisson. 
 
Os elogios, porém, não sobem à cabeça do jogador. Afinal, em um elenco tão concorrido como o do Cruzeiro, Henrique sabe que uma leve brecha pode resultar na perda da titularidade. Depois de quatro anos de sucesso na Toca da Raposa entre 2008 e 2011, que lhe garantiram até uma convocação para a Seleção Brasileira, o volante voltou ao clube no ano passado em busca da volta por cima. 
 
A primeira temporada, contudo, não foi nada fácil. Ele chegou a ser até a quarta opção de Marcelo Oliveira e sua saída da Toca foi até cogitada. Paciente, Henrique soube esperar a oportunidade, vinda em 2014, e espera ser coroado com o título do Brasileirão. 
 
“Tem muito jogo pela frente. Mantendo esse futebol e esse mesmo pé no chão é que podemos, no final, ter um êxito”, opina Henrique, que aguarda um duelo difícil contra o Corinthians, nesta quarta-feira (8), no Mineirão. “Vai ser um jogo muito difícil”, completa.