Bem criada

Nélio Rodrigues - Memórias Refletidas / 28/05/2016 - 07h02

Foi um tempo de muita alegria a infância de Maria Clara Bontempo no bairro Luxemburgo. “Parecia que eu morava no interior. Brincava nas ruas de terra batida com meus irmãos. Rouba-bandeira e amarelinha eram as brincadeiras preferidas”, recorda a caçula de oito irmãos.
A mãe dela se dividia entre o emprego de redatora e o cuidado com a família. A profissão não atrapalhava os afazeres domésticos nem o zelo com os filhos. “Lembro que minha mãe chegava do trabalho, sentava à máquina de costura e fazia roupas para toda a família. Aprendi com ela a cozinhar, costurar e bordar. Era uma mulher com pensamentos modernos, sem abrir mão do conceito da tradicional família mineira”.

Belo Horizonte mantém acesa a chama da minha criatividade. Aqui posso desenvolver minha personalidade e todo o meu ser”


Maria Clara frequentava o Pampulha Iate Clube na adolescência e juventude. As festas do clube para as famílias de associados, sempre no segundo sábado do mês, eram muito badaladas. Outras diversões eram o cinema e os bares com música instrumental. “Gostava de encontrar as amigas e desfilar os vestidos que minha mãe fazia”.
O primeiro namorado tornou-se marido, e vieram dois filhos. “Ser mãe é cuidar do mundo, é cuidar de tudo o que preserva a vida. A maternidade traz isso dentro da gente”.
A superstição e a fé, para Maria Clara, são importantíssimas. “Acredito que a vida é cheia de obstáculos, e é na fé que eu encontro coragem e força interior para me tornar uma pessoa melhor e mais evoluída”, diz.
O passeio de Maria Clara no CRModa a fez se lembrar do começo da carreira como empreendedora de moda. Ali, ela recordou tudo sobre costura e bordado que aprendeu com a mãe. Lançou-se e virou defensora da moda mineira, que, na opinião dela, é representativa no mundo inteiro, graças ao trabalho perfeccionista de confecções primorosas que valorizam o tecido com o bom acabamento. “Pela moda retratamos a história de uma sociedade”, diz.

“Ser mãe é cuidar do mundo, cuidar de tudo o que preserva a vida. A maternidade traz isso dentro da gente”


Com os anos, Maria Clara viu Belo Horizonte crescer e o trânsito tomar conta da cidade, o que lamenta. Dentre os pontos positivos estão as montanhas da Serra do Curral, o cartão-postal favorito. "Belo Horizonte mantém acesa a chama da minha criatividade. Aqui posso desenvolver minha personalidade e todo o meu ser”

 

Comentários