Ídolo do Cruzeiro, Raul Plassmann é um dos cerca de cem funcionários do clube na lista de dispensa. O ex-goleiro, campeão da Taça Brasil de 1966 e da Taça Libertadores de 1976, atuava como embaixador no departamento de marketing da Raposa há quase dez anos, sendo uma das atrações em campanhas direcionadas aos sócios torcedores.

Raul se mostrou surpreso e decepcionado com a demissão nessa quinta-feira (2), em pleno aniversário de 99 anos do clube. 

“Se o clube acha que eu não levo nenhum benefício, tudo bem, não tem problema. Só fiquei decepcionado porque ninguém apareceu, ninguém do conselho de notáveis apareceu para me demitir. O ídolo do clube, independentemente de quem seja, traz benefícios”, destacou Raul. 

Raul

Em entrevista aos canais ESPN, o presidente do Núcleo Dirigente Transitório, Saulo Fróes, justificou o desligamento do ex-goleiro ao alto salário que recebia no clube. Raul tinha remuneração de R$ 12 mil mensais, além de auxílio moradia de R$ 2 mil. 

“Sou fã do Raul. É um ídolo do clube, mas temos diversos ídolos. Se for assim, temos que colocar todos os ídolos. Não vou citar, pois vou ficar a noite toda citando. O que foi feito foi avaliação profissional e, principalmente, financeira. Eu não posso falar o salário dele, mas é um salário totalmente fora da realidade do Cruzeiro para o momento atual”, disse Fróes. 

Raul se defendeu da declaração. O ex-goleiro fez questão de deixar claro que ganhava um bom salário, mas nada de “anormal”, como foi exposto pelo presidente do Núcleo Dirigente Transitório.

“Falaram que meu salário é incompatível. Alguns devem pensar que eu ganho como alguns lá. Tenho um bom salário, mas nada absurdo que o Cruzeiro não possa pagar. Eu aceito e compreendo muito bem. Não tem briga com o clube, só fiquei decepcionado. Eles têm o direito de não querer”, disse o ex-goleiro.

Salário atrasado

Assim como os outros funcionários do Cruzeiro, Raul Plassmann também convivia com pendências no pagamento. Segundo o ex-goleiro, são quase três meses de salário atrasado, além de férias que não foram pagas, oito meses sem o depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e uma parcela do 13º salário.

No dia 10 de janeiro, Raul voltará ao Cruzeiro para fazer o acerto e disse que espera receber todas essas pendências. Mesmo se a situação não se resolver, o ex-goleiro disse que não levará o clube na Justiça. 

“Eu não quero mexer com Justiça de modo algum. Isso o clube deve entender que tem que me pagar. São pessoas e não o clube que não está cumprindo (com os pagamentos). Temos que diferenciar o clube de pessoas”, ponderou. 

Comentarista?

Raul Plassmann pode voltar a ser comentarista de futebol, mas primeiro quer resolver a sua situação com o Cruzeiro. “Tenho duas perspectivas fora de Minas, mas preciso resolver a situação com o clube. Vou conversar com dois canais e estou aberto a propostas”, ressaltou.

O ídolo cruzeirense já trabalhou como comentarista na Rede Globo e nas filiais de Curitiba da Rede Record e Rádio CBN.