O núcleo gestor do Cruzeiro tem tentado amenizar o caos econômico do clube com várias ações, sendo algumas polêmicas. Uma medida que ainda tem causado impacto é a redução salarial da maior parte dos jogadores. 

O goleiro Fábio, o lateral-direito Edilson e o zagueiro Léo foram alguns atletas que tiveram a remuneração reduzida. Outros, como o meia Rodriguinho e o volante Ariel Cabral, ainda discutem o futuro. Até o momento, 14 jogadores deixaram a Raposa. Dedé e Fred também devem ter saídas concretizadas em breve. 

O fato é que esta forma de enxugar a folha salarial tem causado embates. Muitas vezes, entre diretoria e empresários dos atletas. Neste novo cenário, a atual gestão assume que tem encontrado dificuldades em negociar com alguns agentes.

“A relação dos empresários com o Cruzeiro deve ser pautada pelos princípios éticos. Não podemos aceitar a falta de ética, compostura e, principalmente, os agentes incentivando os jogadores a entrarem na Justiça e ir para um caminho que não é o adequado. Desde que assumimos, diante da situação difícil do Cruzeiro, temos procurado conversar com todos os jogadores, para adaptar à realidade. Em nenhum momento faltou diálogo de nossa parte. Pelo contrário, tanto que nós já chegamos a um bom termo com alguns deles. E com os que estão faltando, nós chegaremos. Por outro lado, em nenhum momento quisemos segurar os atletas. Todos que desejaram sair, saíram, e as portas ficaram abertas, em um possível retorno”, destacou Saulo Fróes, presidente do conselho gestor do Cruzeiro.

Fróes


Fróes disse que não vai aceitar que empresários continuem transitando livremente pelo clube, trazendo vários jogadores, muitas vezes, sem critério.
 
“O que não podemos admitir são agentes tendenciosos, que agem por interesse próprio, que procuram os caminhos somente através da Justiça. Nós respeitamos, eles têm todo o direito, mas acreditamos que não é a forma adequada, acreditamos que antes se deve ter um diálogo, para não dar um prejuízo ao clube. Estes agentes se esquecem que o Cruzeiro é eterno. Hoje nós estamos em uma situação difícil, mas vamos voltar ao topo. Aqueles que nos deram as mãos, nós vamos lembrar, e aqueles que recolheram as mãos, nós também vamos lembrar", reforçou Saulo Fróes.

"A relação só é boa quando é boa para ambas as partes, e aí está sendo somente para uma parte. Isso não vamos admitir. Recentemente tivemos os casos de jogadores que, amparados por seus empresários, procuraram a via errada, ao nosso ver, o que só atrapalha a relação. Mas felizmente a maioria dos empresários tem entendido a situação do Clube, buscando diálogo em busca das melhores soluções”, completou.

Fróes ainda divulgou a estimativa do valor da dívida com agentes de jogadores. “Somente para empresários, o Cruzeiro tem um débito enorme, cerca de (R$) 20 milhões, de anos anteriores. Existem indícios de irregularidades e nós vamos apurar todos estes contratos. Se estiver tudo certo, tem que pagar, mas se não estiver, além de discutir essa dívida, nós vamos levar para as autoridades, até as últimas consequências, se for preciso”, completou.

O Cruzeiro reforçou que será construído um portal de transparência para apresentar dados que vão permitir que o torcedor acompanhe as informações administrativas e financeiras do clube.  

André Cury

Recentemente, a diretoria celeste se reuniu com André Cury, empresário do volante Ederson e do atacante David, para negociar algumas pendências. Os dois atletas entraram com ações na Justiça contra o Cruzeiro pedindo rescisão de contrato. 

No caso de David, Cury propôs rescisão amigável e, em troca, retiraria o processo judicial por causa de atrasos em salários, férias, 13º e FGTS, além de todas as remunerações do vínculo até dezembro de 2022. As tratativas não tiveram evolução. 

Apesar de Saulo Fróes não citar nomes em nota divulgada no site do Cruzeiro, o texto pode ser direcionado a André Cury, que também teve embate com a diretoria celeste no caso envolvendo o zagueiro Ramón, que estava no Vitória. 

O jogador chegou a assinar um pré-contrato no ano passado com a gestão anterior. Em entrevista ao Globo Esporte, André Cury, empresário do zagueiro foi enfático ao dizer que o caso é de polícia.