Dívidas, acordos entre o clube e torcida organizadas em gestões passadas e facilitação de ingressos para o jogo do Cruzeiro contra o Palmeiras nesta quarta-feira (19), às 22h, na Arena Palmeiras, pela partida de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Esses foram alguns dos temas abordados pelo presidente do Cruzeiro, Gilvan de Pinho Tavares, com um membro de uma torcida organizada, em áudio vazado na internet.

Na conversa que vazou em grupos do aplicativo de celulares Whatsapp nesta terça-feira (19), Gilvan é questionado por cortar apoio financeiro do clube à facção. Segundo Gilvan, desde quando assumiu o clube, em janeiro de 2012, ele sofre pressão justamente por ter acabado com privilégios concedidos à organizada e citou até a gestão do presidente anterior, Zezé Perrella.

“Eu não abandonei (a Máfia Azul), só que vocês morrem de raiva porque tinham emprego aqui no clube, vocês tinham aluguel de sala pago, vocês tinham ingresso, tinham ônibus pago...”, afirma Gilvan.

Gilvan manifestou ainda intensa insatisfação com os recentes protestos dos torcedores contra a diretoria. “Como que você vai conversar comigo se a torcida está só me ofendendo? Eu vou receber esses aí que estão me mandando tomar no c...? Estou fazendo o que posso fazer. Vou falar com vocês, que vocês não entendem. O Cruzeiro fez um sacrifício financeiro para ganhar dois títulos. Aí nós ficamos completamente endividados. Estou pagando dívida. Como que você faz? Torcida quer que compre jogador e ganhe título. Ninguém ganha título todos os anos”, argumenta. “Vocês vão à na porta da Toca, vem aqui invadindo a sede. É isso que vocês conversam?”, disse o mandatário.

Na gravação, feita na manhã desta terça-feira, na sede do Cruzeiro, no Barro Preto, o membro da torcida organizada deixa claro que está preocupado com quem será o novo canal de comunicação da diretoria com a facção, antes exercido pelo então gerente de futebol Valdir Barbosa. “Sobre ingressos de São Paulo, não tem condições? (...) Com quem pegamos agora os ingressos?”, questiona o torcedor.

“Nós estamos com situação financeira difícil. Vou tirar dinheiro do Cruzeiro para dar para torcedor? Nós vamos arrumar ingressos para vocês. Vocês vão pegar os ingresso lá em São Paulo. A mesma coisa que o Valdir fazia”, rebateu Gilvan.

“Já dei ordem que vai continuar tendo ingressos do mesmo jeito. Vocês vão acertar isso com Fernando Souza (…) Em São Paulo não tem jeito (de pegar com Fernando), porque é o Benecy quem vai pegar os ingressos. Lá, é com segurança nosso”, argumenta.

O líder da torcida organizada cobrou ainda uma reunião de aproximação com Gilvan de Pinho Tavares.

Membro da torcida organizada: “Isso tudo (benefícios para a torcida organizada) foi retirado e não foi conversado. Reúne com a diretoria da Máfia Azul e vamos conversar”

Gilvan: “Vocês têm de ajudar o clube. Não é o clube que tem de ajudar vocês”

Membro da torcida organizada: “Temos 600 sócios. Isso não é ajudar? Quanto a gente dá para o clube?”

Gilvan: “Vocês têm 600 sócios porque eu não dei ingressos”

Membro da torcida organizada: “Onde o clube está, a Máfia Azul está. A gente vai ao jogo na quarta-feira. A gente vai ao jogo no domingo. Entendeu, Gilvan? Nós temos de rever isso”

Gilvan: “Não vou dar ingresso, não vou dar dinheiro, nem vou pagar sala”

Membro da torcida organizada: “Você não pode conversar, não?”

Gilvan: “Posso”

Membro da torcida organizada: “Por que não podemos marcar uma reunião?”

Gilvan: “Depois você liga para o Fernando Souza e ele marca com vocês”

Segundo a assessoria de comunicação do Cruzeiro, o presidente Gilvan de Pinho Tavares não tinha conhecimento que essa conversa foi gravada. O clube estrelado explica ainda que fornece ingresso para torcedor somente para jogos fora do estado. Isso porque o Cruzeiro recebe os bilhetes como cortesia e repassa para as torcidas organizadas.

No Mineirão, isso não acontece porque afeta diretamente a receita do clube.


Confira o áudio na íntegra: