Enfim, o alívio. Após ver o sonho do tricampeonato da Libertadores ser colocado em xeque, o Cruzeiro conseguiu avançar à segunda fase da competição sul-americana ao bater o Real Garcilaso por 3 a 0, na noite desta quarta-feira (9), no Mineirão. Ricardo Goulart, Bruno Rodrigo e Júlio Baptista anotaram os gols em uma partida que a Raposa dominou por completo e, só não fez mais, porque tirou o pé na segunda etapa, já pensando no clássico contra o Atlético, no domingo, que decidirá o Campeonato Mineiro. A missão foi cumprida.
 
Com o triunfo, o Cruzeiro chegou aos dez pontos e tomou da Universidad de Chile a segunda colocação do Grupo 5, graças ao amplo saldo de gols de diferença. O Defensor avançou em primeiro, com um ponto a mais que os rivais. Os clubes saberão nesta quinta-feira quem serão seus adversários nas oitavas de final do torneio continental.
 
De um time só
 
Quando se tem uma partida de amplo domínio, seja por pressão ou qualidade técnica, costuma-se dizer que foi um confronto de “ataque contra defesa”. Nesses jogos é comum ver um time na retranca buscando o contra-golpe, enquanto o outro parte em ofensivas de forma intensa. Foi o que quase aconteceu nesta quarta-feira (9), durante o confronto entre Cruzeiro e Real Garcilaso. Houve, sim, o predomínio de um time: o estrelado. A diferença é que ele foi absoluto, sequer permitindo o avanço em contra-ataque do adversário peruano.
 
Não passavam de 20 segundos quando Everton Ribeiro assustou Pretel, ao tirar tinta da trave. Aos dois minutos, Ricardo Goulart também chegou com perigo, mas mandou para o alto. Quando o ponteiro do relógio apontava seis minutos, o Cruzeiro já tinha chegado em quatro oportunidades flagrantes de gol.
 
Porém, conforme o tempo ia passando, ampliava o nervosismo. Mesmo que o adversário apenas se preocupasse em postar uma barreira à frente da área, o Cruzeiro se mostrava afoito, já que só a vitória interessava. Somente a rede balançando poderia aliviar essa tensão. E o primeiro respiro veio aos 23 minutos, quando Mayke foi à linha de fundo e mandou a bola na cabeça de Ricardo Goulart, que testou firme para a meta. O torcedor celeste, enfim, soltava o grito gutural preso na garganta. 1 a 0.
 
Quem acompanhava o jogo, até então, sabia que na primeira vez que o barbante balançasse, a tônica do jogo mudaria por completo. Era o famoso “passou boi, passou boiada”. E não demorou muito para a profecia se cumprir. Aos 26, a tão mortal jogada de bola parada da Raposa voltou a acontecer, quando um escanteio pela esquerda passou por toda a zaga peruana. Do outro lado encontrou Bruno Rodrigo, que testou firme para o gol. 2 a 0.
 
Os minutos seguintes foram de agonia para a defesa peruana. Fechados, “para não tomar de muito”, tentavam combater o poder de fogo celeste. Até que se saíram bem, ao menos até os 41 minutos, quando Ricardo Goulart, com sua grande visão de jogo, achou Júlio Baptista na entrada da área. “La Bestia” colocou a bola na frente e tocou de lado na saída do arqueiro adversário. 3 a 0, o placar necessário para não precisar de ninguém.
 
Quem gostava da partida era Fábio. Mero expectador, o goleiro só apareceu no “cara ou coroa”, já que levava no braço a tarja de capitão. Como o time peruano não passou da intermediária, o arqueiro deve ter conversado com os gandulas para passar o tempo...
 
Poupando
 
A tônica da etapa complementar não mudou muito. Apesar de visivelmente evitando um desgaste físico, já que teria a final do Mineiro contra o arquirrival, Atlético, no domingo, o Cruzeiro seguiu envolvendo o Garcilaso. O time peruano, de quem se esperava um pouco mais de ação ofensiva, contrariou os prognósticos e continuou se defendendo a toda força.
 
Não foram poucas as vezes que a rede defendida por Pretel não balançou por uma falta de capricho ou uma inspiração momentânea da defesa peruana. Júlio Baptista, por exemplo, perdeu duas boas oportunidades. Borges, que entrou mais no final, também pecou na hora da finalização. Já Bruno Rodrigo não anotou o seu porque a defesa cortou praticamente em cima da linha.
 
Do outro lado, finalmente Fábio pegou na bola. O lance ocorreu aos 28 minutos, quando Ortiz cobrou falta em curva pela esquerda. O goleiro a segurou firme quando ela tomava como rumo sua meta. Mas foi só.
 
O jogo até que pedia mais um golzinho. Porém, se não veio, foi pela inteligência ao administrar a parte física, já que terá uma decisão na próxima partida. Nada a se lamentar. O Cruzeiro se reergueu em meio a uma situação complicada e avança com força à segunda fase. 
 
FICHA TÉCNICA
CRUZEIRO 3 X 0 REAL GARCILASO
 
CRUZEIRO: Fábio, Mayke, Dedé, Bruno Rodrigo, Egídio; Lucas Silva, Henrique, Everton Ribeiro (Alisson), Ricardo Goulart (Elber); Dagoberto (Borges) e Júlio Baptista . Técnico: Marcelo Oliveira
 
REAL GARCILASO: Pretel, Jhoel Herrera, Atoche (Lojas), Gonzalo Maulella, Cristian García (Carlos Flores); Retamoso, César Ortiz, Brítez, Santillán; Juan Rodriguez e Ramúa. Técnico: Freddy Garcia
 
Gols: Ricardo Goulart (aos 23'), Bruno Rodrigo (aos 26'), Júlio Baptista (aos 41' do 1º tempo)
Data: 9 de abril de 2014
Motivo: Jogo válido pela sexta rodada do Grupo 5 da Copa Libertadores
Estádio: Mineirão
Cidade: Belo Horizonte
Árbitro: Adrián Vélez (Chile)
Auxiliares: Wilson Berrio (Chile) e Rafael Rivas (Chile)
Público:  42.775 pagantes (44.159 presentes)
Renda: R$ 1.706.160,00
Cartões amarelos: Huerta, Atoche, Lojas e Herrera (Real Garcilaso); Egídio (Cruzeiro)