No fim de 2012, o presidente do Atlético, Alexandre Kalil, anunciou que estava perto do acerto com Ricardo Goulart, destaque do Goiás naquela temporada. Trinta dias depois, o jogador era confirmado como reforço do maior rival.

Passado um ano e três meses após o duelo travado nos bastidores por Galo e Raposa, a disputa mais do que se justifica. Com os três gols marcados diante da Universidad de Chile, terça-feira, pela Libertadores, o armador está perto de se tornar o artilheiro do time na era Marcelo Oliveira.

Apesar de balançar as redes não ser sua maior obrigação, Goulart vem se tornando um especialista na arte de fazer os goleiros buscarem a bola no fundo do gol. Desde que chegou ao Cruzeiro, em janeiro do ano passado, ele anotou 18. Perde apenas para Borges, um centroavante nato, que tem 19.

Na média, o ex-santista ainda leva vantagem. Por causa das contusões que o afastaram de vários compromissos, Borges esteve em campo em 41 oportunidades, o que corresponde a 0,46 gol por jogo. Já Goulart precisou de 56 partidas para fazer os 18, média de 0,32.

A apresentação contra os chilenos pôs fim aos questionamentos. Desde a estreia do time na temporada que Goulart não balançava as redes e não tinha uma atuação tão convincente.

ADVERSÁRIO

Com tantos jogadores de qualidade no grupo, o técnico Marcelo Oliveira tem opções de sobra para escalar o time e se dá ao luxo de armar a equipe de acordo com as características do adversário. Na terça, ele optou por Marcelo Moreno no ataque, por causa da estatura dos chilenos.

Mas, no pouco tempo em que esteve em campo, Willian lutou muito e mostrou que é o curinga do time. O atacante marcou um golaço, o 11º em 36 jogos sob o comando do treinador, média de 0,30. Confira, abaixo, a entrevista com o jogador. 

Entrevista Willian:

O grupo do Cruzeiro é muito forte. Como os jogadores encaram a concorrência interna?
O Marcelo (Oliveira) e o Cruzeiro só têm a ganhar. Ele tem várias opções para escalar a equipe. Claro que todo mundo quer jogar, mas a gente sabe que só entram 11 e respeitamos todo mundo. Quem entra está dando conta do recado e ajudando bastante. Cada um tem sua importância.

De uma certa forma, você acha que isso melhora até a qualidade individual, já que ninguém pode se acomodar?
A gente tem que matar um leão por dia. Mas é uma concorrência sadia. O respeito aqui dentro é muito grande. Só assim podemos ser campeões. Este grupo do Cruzeiro é muito forte e esse é nosso ponto principal.

Depois de uma partida empolgada pela Libertadores, como voltar o foco para o Mineiro, no próximo sábado?
A seriedade é a mesma. É outro campeonato, mas temos que entrar com a mesma vontade.

O que o Cruzeiro deve levar de aprendizado da vitória contra os chilenos na Copa Libertadores?
O espírito que nós tivemos foi muito importante. Todo mundo se preocupou com a marcação. Mantivemos a posse de bola e conseguimos uma vitória muito expressiva. Temos que levar isso para o restante da temporada em todas as competições que a gente disputar.