Foram quase seis anos longe daquele gramado. No último sábado (11), ele teve a oportunidade de pisá-lo novamente. Agora, Marcelo Moreno deseja que os ares da Toca II tragam de volta os melhores momentos da carreira dele, vividos justamente com a camisa azul. “Estava precisando voltar para cá”, constata o boliviano. “O Moreno teve uma passagem maravilhosa no Cruzeiro”, completa o técnico Marcelo Oliveira.
 
Aos 26 anos, o atacante encara o retorno como um recomeço, renascimento. Afinal, desde que deixou a Raposa, em maio de 2008, perambulou por vários clubes, mas não conseguiu confirmar as expectativas que fizeram os ucranianos do Shakhtar Donetsk desembolsar € 9 milhões (R$ 23,5 milhões, na época) para contratá-lo.
 
Inegavelmente, Moreno volta ao Cruzeiro em situação distinta daquela em que deixou o clube, como artilheiro da Copa Libertadores de 2008, com oito gols. No entanto, quem foi ao aeroporto de Confins na última quinta-feira recepcioná-lo aposta em uma trajetória diferente.
 
No ano passado, terminou na reserva do Flamengo e foi devolvido ao Grêmio, clube que detém 70% dos direitos econômicos dele. Em baixa, o Tricolor aceitou emprestá-lo de graça e pagar parte dos seus custos, que somam R$ 670 mil por mês, divididos entre “salário (R$ 267 mil), direito de imagem (R$ 250 mil), remuneração acessória (R$ 50 mil) e comissionamento (R$ 100 mil)”.
 
Mesmo tendo remuneração e status de estrela, Marcelo Moreno chega para compor o grupo e disputar um lugar no ataque, composto por Borges e Dagoberto.
 
“Vamos jogar da forma que vínhamos jogando e acho pouco provável que Borges e Moreno joguem juntos”, adianta o técnico Marcelo Oliveira. Além dos titulares, o boliviano vai brigar por espaço com Vinícius Araújo, Willian, Luan, Lucca e Martinuccio.
 
Declínio
 
Quando embarcou rumo à Ucrânia, Marcelo Moreno tinha a expectativa de vingar no futebol do Velho Continente. Contudo, seus planos não foram adiante. No Shakhtar fez 46 partidas e marcou somente 11 gols. Quem conviveu com o atacante no clube do Leste europeu atribui seu insucesso nos gramados ao comportamento fora de campo. Por isso, Moreno teria sido colocado em segundo plano pelo “rígido” técnico Mircea Lucescu.
 
O boliviano passou pelo Werder Bremen, da Alemanha, e Wigan, da Inglaterra. No Brasil, defendeu Grêmio e Flamengo. Na equipe gaúcha teve início promissor, mas entrou em atrito com o então técnico Vanderlei Luxemburgo, também devido a fatores extracampo. No rubro-negro foi prejudicado por lesão e terminou a temporada na reserva.