Nascido em Belo Horizonte e criado no bairro Alto dos Pinheiros, na região Noroeste da capital, um jovem de 20 anos vai ganhando, aos poucos, oportunidades no futebol polonês, com a camisa do Cracóvia. O meia Matheus Santos, que jogou no Cruzeiro de 2010 a 2014, como lateral-direito, vestiu também a camisa do América na temporada seguinte e, em busca do sonho, seguiu fazendo testes em clubes como Bahia, Figueirense, Red Bull Bragantino e Coritiba.

Em março de 2018, após ter sido recusado no clube de Santa Catarina, Matheus viu a vida tomar novo rumo, de forma repentina. Retornando ao Betinense, um dia depois a dispensa, acabou tendo a oportunidade de seguir para o continente europeu. De 2015 a 2017, ele fez parte do projeto Soccer Trainer, criado e tocado pelo ex-jogador Elmo Molica.

A Soccer é uma empresa com sede na capital, voltada para treinamento de atletas de futebol de base e profissionais. Tudo começou quando Molica verificou uma deficiência, principalmente em atletas de categorias de base, que buscavam fazer testes em grandes clubes e chegavam para estas avaliações despreparados física e tecnicamente. 

Acompanhado de mais dois amigos, Vinicius e Douglas, Matheus seguiu para a Polônia há dois anos, após ter sido visto por um profissional do clube da Primeira Divisão. "No meu primeiro ano, atuei pelos juniores. Fiz cinco gols em 12 jogos e fui eleito o melhor jogador", conta ao Hoje em Dia. Ele treinava com a equipe principal durante a semana e nos fins de semana atuava pela categoria de acesso.

matheus santos

INICIO - Matheus Santos passou pelas categorias de base do Cruzeiro

Na expectativa de fazer a estreia em partidas oficiais pelo time de cima, Matheus segue aguardando a chance de ouro.

"Ficar longe da família é complicado. Assim como o idioma. O lado familiar é o que mais mexe comigo. Sou alucionado com a minha. Tenho cinco sobrinhos bebês. Estou perdendo o crescimento deles, mas é por uma causa maior. Vou até o fim em busca desde sonho", destaca o jovem belo-horizontino.

Agenciado pelo ex-meia Lincoln, que vestiu as camisas de Atlético, Palmeiras e Coritiba, no Brasil, e com sucesso no futebol alemão, Matheus fez questão de destacar a parceria durante a entrevista.

"Conheci o Lincoln em 2017. Estamos juntos até hoje. Ele me viu jogar, no Independência, num jogo de fim de ano. Assinamos um contrato em 2018. Ele que me levava para fazer os testes", conta o jogador. 

Quando estava no Cruzeiro, o meia ganhou uma bolsa no colégio Batista Mineiro. Lá, onde estudou de 2011 a 2015, colecionou títulos como atleta do futsal. Segundo ele, ganhou tudo o que era possível na modalidade.

Enquanto não chega a hora de estrear pela equipe principal, o menino do Alto dos Pinheiros segue firme e, como ele mesmo diz, sempre de cabeça erguida. Com a bola rolando após superar a pandemia do novo coronavírus - a Polônia registrou 21.326 infectados e 996 mortos (números de maio) -, o país foi o sexto do Velho Continente a permitir o retorno das competições.