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O Cruzeiro precisa vender a Campestre 2 para honrar compromissos, pagar dívidas e evitar o rebaixamento compulsório à Série C do Campeonato Brasileiro, punição extrema da Fifa no caso do não pagamento da dívida que o clube tem com o Al-Whada, ainda pela contratação do volante Denílson, em 2016. O valor a pagar em data a ser definida pela entidade máxima do futebol é de aproximadamente R$ 5 milhões. 

O superintendente de relações institucionais e governamentais do clube, o deputado Léo Portela, levantou essa bola novamente para explicar a importância da venda do imóvel na região da Pampulha.

O parlamentar, que exerce função na atual diretoria celeste, usou o seu Twitter para contradizer pontos específicos levantados pelo ex-presidente José Dalai Rocha quanto à procura por interessados no imóvel da Campestre 2, localizada em frente à sede Pampulha (denominada também Campestre), e que está subutilizada.

Para Portela será plenamente possível discutir o assunto em reunião extraordinária, seja de forma presencial ou online. "Sobre a realização da Assembleia durante a pandemia, já demonstramos nas eleições para Presidência do Clube e do Conselho que o evento pode acontecer respeitando os protocolos do #COVID19. Além do que, diferente do Conselho Transitório, entendemos que pode acontecer online", explicou em parte de uma thread publicada no Twitter.

Dalai Rocha publicou um texto em seu blog com o seguinte título: "Infelizmente não venderemos o imóvel". Vale ressaltar que o ex-dirigente se coloca favorável à venda da Campestre 2 para quitação de dívidas, mas em sua visão há empecilhos para que a reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, que tratará da alienação do imóvel, possa acontecer normalmente no dia 3 de agosto no Parque Esportivo do Barro Preto. 

Dalai cita a pandemia do coronavírus, o quórum de 9/10 (90% do Conselho precisam aprovar tal venda) e a tentativa de credores em bloquear futuros valores advindos da alienação do imóvel.

A grande questão e o ponto que Dalai coloca também como dificuldade é a possibilidade de aglomeração em um momento de cuidados pelo coronavírus. O Cruzeiro tem de acordo com o ex-presidente 480 conselheiros em seu quadro, e pelas regras 432 teriam que avalizar, segundo o Estatuto do clube, a venda da Campestre 2.

"O art. 20, VI do Estatuto enumera as unidades para as quais a venda só pode se realizar com a aprovação de pelo menos 90% dos conselheiros inscritos. Ou seja, se hoje somos 480, será obrigatória a presença e o voto sim, de 432 conselheiros. Essas unidades estão assim relacionadas, ipsis literis: “Parque Esportivo do Barro Preto, o Centro Administrativo, as Sedes Campestres, a Toca da Raposa I e a II”. Uma leitura apressada concluirá que a área de estacionamento não consta ali e poderia ser colocada à venda, com quórum simples de conselheiros, como parece ser o propósito dos atuais dirigentes", explicou Dalai.

Portela discorda da análise e diz que 90% dos presentes ao encontro poderão aprovar o tema. "Sobre o quórum, entendemos que o Estatuto, que precisa ser atualizado urgentemente, ao não determinar que seja qualificado para o início da votação, mas sim para a aprovação, possibilita que a venda seja aprovada por 90% dos PRESENTES", seguiu 'tuitando' em sua conta particular no microblog.

Pandemia

A reportagem procurou o superintendente do Cruzeiro para falar sobre a reunião do dia 3 de agosto, após o mesmo comentar na internet sobre um eventual encontro online.

"A gente tem condições de realizar o evento, a prova disso é que realizamos eleições para presidência e presidência do Conselho. O Evento ocorreu normalmente respeitando determinações, protocolos da Covid-19. Mas nós entendemos também que além disso existe a possibilidade de ser realizada ( a reunião extraordinária) de maneira online. Não estou dizendo que será realizada de maneira online, mas que nós entendemos que ela pode ser realizada de maneira online. Não é a primeira possibilidade, queremos realizar a reunião, tal qual fizemos como a eleição, mas existe essa possibilidade (reunião virtual), no nosso entendimento", explicou.

O Hoje em Dia em 17 de abril deste ano trouxe a informação de que eleições virtuais no Cruzeiro são permitidas pelo Estatuto do clube. Essa é a visão do ex-presidente Gilvan de Pinho Tavares, um dos idealizadores da atual versão do estatuto. 

"Nós temos espaços abertos, espaços grandes no Cruzeiro à disposição, podemos interligar esses espaços deixando espaços de convivência entre os presentes suficientes para que os protocolos da Covid-19 sejam respeitados. Podemos, por exemplo, colocar telão em várias partes no Barro Preto, fazer presencialmente em outra parte, tudo acontecendo ao mesmo tempo de maneira interligada. No mesmo ambiente, um espaço físico só, o clube, uma parte em um telão, outra parte em outro telão, em várias partes do clube respeitando o mínimo de distância de uma pessoa para outra"

Respeito

Léo Portela, apesar de questionar a opinião de Dalai Rocha, deixou claro o respeito pelo ex-juiz e ex-presidente do Cruzeiro. "Respeito muito o Dr. Dalai, mas novamente terei que discordar de sua interpretação jurídica", disse o superintentende, que também é advogado. 

Dalai também respondeu via Whatsapp. "Agradecer a elegante manifestação, técnica, objetiva, ainda que contrária ao meu ponto de vista", disse em parte de mensagem encaminhada pelo aplicativo.