Em 2003, dois garotos que encantavam a América brigaram diretamente pela taça da Libertadores. Mais de uma década depois, eles voltam a disputar a competição como duas das suas principais estrelas. E a esperança atleticana é de que Robinho consiga, com a camisa alvinegra, se vingar de Tévez, que retornou ao Boca Juniors e levou a melhor naquela decisão de 13 anos atrás.

A história envolvendo Tévez e Robinho, que com 19 anos brigaram pelo título continental, é só mais um capítulo da supremacia argentina e brasileira na Libertadores no último quarto de século. Nas 25 edições a partir de 1991, clubes dos dois países levantaram a taça 21 vezes (84%). Foram 12 conquistas do Brasil e nove da Argentina.

Nas quatro decisões dos últimos 25 anos que não terminaram com um brasileiro ou argentino campeão, em três delas uma equipe desses dois países foi o vice. Isso só não aconteceu em 1991, quando o Colo Colo, do Chile, chegou ao título derrotando o Olimpia, do Paraguai.

E é difícil acreditar que os dois países não seguirão brigando pela taça mais cobiçada da América em 2016.

Os principais favoritos ao título são mesmo os clubes brasileiros e argentinos. E a lista não é pequena. Além do Atlético, de Robinho, no Brasil não se pode desprezar a força do time milionário do Palmeiras, que investiu forte para a disputa da Libertadores e contratou jogadores como o zagueiro Edu Dracena, ex-Corinthians, o volante Jean, ex-Fluminense, e o atacante Erik, ex-Goiás.

O São Paulo, que perdeu Rogério Ceni, Alexandre Pato e Luís Fabiano, contratou o técnico argentino Edgardo Bauza, bicampeão da Libertadores com LDU (2008) e San Lorenzo (2013). Além disso, tem Calleri, revelação do Boca Juniors que disputará a Libertadores pelo Tricolor antes de ir para a Europa.

Atual campeão brasileiro, o Corinthians aparece como uma incógnita depois do desmanche que sofreu. O Grêmio tenta surpreender, assim como fez no Brasileirão do ano passado.

Boca e River encaram torneio carregando as marcas de 2015

A rivalidade entre Boca Juniors e River Plate será uma das marcas da Libertadores de 2016. E um combustível dos dois clubes, que integram a lista dos favoritos ao título continental.

No ano passado, a caminhada do River Plate no mata-mata, rumo ao título, começou justamente diante do maior rival, num confronto marcado por polêmicas e que terminou no tapetão, pois a partida de volta, em La Bombonera, foi encerrada no intervalo, pois torcedores do Boca atiraram gás de pimenta nos jogadores adversários.

Para a edição deste ano, o Boca Juniors aparece à frente do rival. Apesar de ter perdido Calleri para o São Paulo, tem como grande referência o craque Tévez, que retornou ao clube no final do ano passado e já conquistou o título argentino.

Apesar de ter perdido algumas peças importantes do time campeão do ano passado, o River Plate também aposta num ídolo do passado, o meia D’Alessandro, revelado no clube que volta a Núñez depois de se consagrar no Internacional.

O Racing segue apostando na dupla de ataque formada por Bou e Milito. Entre os times não brasileiros ou argentinos, o Santa Fé, da Colômbia, atual campeão da Copa Sul-Americana, aparece como maior ameça à hegemonia dos dois países.arte