O 10 do Atlético é o 9. Isso é uma máxima na história alvinegra desde Mário de Castro, passando por Guará, Ubaldo Miranda, Nilson, Dario, Reinaldo, Marques, ou até mesmo por Guilherme, que embora 7, era 9.

E Diego Tardelli, 15º maior artilheiro do clube, com 110 gols, tem lugar nessa lista. Desde sua saída, o Galo apostou alto na busca por um novo integrante na relação. Mas Lucas Pratto, Fred e o atual 9, Ricardo Oliveira, não conseguiram, por mais que em determinados momentos tenham marcado muitos gols ou alcançado a artilharia de torneios, um lugar na relação.

Numa sala de coletiva lotada, Diego Tardelli deixou claro que se arrependeu de ter ido para o Grêmio no ano passado e que volta ao Atlético pensando em eternizar o nome na história

Isso, com certeza, explica muito o fato de Ricardo Oliveira, na partida deste domingo, contra a Caldense, no Mineirão, pela sexta rodada do Campeonato Mineiro, já ter entrado em campo com a camisa 99.

A 9 voltou a ter dono. E isso ficou evidente até mesmo nas reações da torcida, que cantou com vontade: “Ô, o Tardelli voltou”, e depois mais vaiou que aplaudiu quando foram anunciados os nomes de Ricardo Oliveira e Di Santo pelo sistema de som do estádio.

Tardelli

Negociação

Essa reação da torcida provou seguir a mesma a relação da torcida com o ídolo, pois ela esteve abalada no início do ano passado, quando o atacante, ao voltar do futebol chinês depois de quatro temporadas, optou por jogar no Grêmio, que venceu a disputa com o Atlético pela sua contratação por pagar mais ao atleta.

E de certa forma, mesmo que tomando muito cuidado com as palavras, Tardelli mostrou arrependimento por não ter optado pela Cidade do Galo em 2019.

“Volto para o lugar que sempre gostei e fui respeitado e admirado. Tenho uma história linda aqui. Talvez tenha feito algumas escolhas na minha vida, enfim... Poderia ter voltado para casa antes. Agradeço muito ao Grêmio, tentei fazer história lá”, afirmou o novo camisa 9 atleticano, que depois foi mais claro: “Com dois ou três meses lá eu já liguei para o Domênico (diretor de comunicação do Atlético) perguntando se não tinha como voltar”.

O momento ruim no Grêmio, segundo Tardelli, foi muito fruto do fato de não se sentir em campo, e também de uma nova realidade do futebol brasileiro, que, segundo ele, mudou demais em quatro anos.

“Foram quatro anos na China. Quando voltei, tomei um choque de realidade. O futebol aqui mudou muito, até mesmo pelas redes sociais. Isso me deixou um pouco para baixo, depressivo. Isso me atrapalhou um pouco na passagem pelo Grêmio, mas esse período lá serviu de adaptação”, revelou Tardelli.

O jogador, contratado pelo presidente Sérgio Sette Câmara, que comandou a negociação com os representantes do atleta, chega com um ano de contrato, mas com opção de mais um.

O salário de Diego Tardelli não foi revelado pelas partes, mas segundo o jornalista Paulo Vinícius Coelho, pode chegar a R$ 400 mil caso metas sejam alcançadas pelo jogador.

Numa coletiva em que garante ter voltado para “eternizar seu nome na história”, Diego Tardelli, nas palavras, acertou definitivamente as coisas com a Massa. Agora, falta a parte mais importante: dentro de campo.

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