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Até a última quinta-feira Zezé Perrella acumulava dois cargos no Cruzeiro, o de presidente do Conselho Deliberativo e o de gestor de futebol. Na manhã desta sexta-feira (12) o dirigente amanheceu fora das duas funções e prometeu não assumir mais nenhum posto no clube.

Demitido após uma manobra política que minou os seus poderes, o agora ex-dirigente deu por encerrada sua vida em cargos no clube. Licenciado da presidência do conselho cruzeirense, Perrella disse que não pediria para voltar ao antigo cargo.

"Não volto nunca mais. Quero curtir o Cruzeiro na arquibancada", disse em entrevista coletiva convocada para explicar sua saída da Raposa.

Ainda de acordo com Perrella, a decisão de Wagner Pires de Sá de o tirar do cargo de gestor de futebol foi comemorada pela família do ex-senador.

"Minha família agradeceu demais após eu mostrar a mensagem do Wagner. Então, presidente, meus familiares estão muito contentes com você", debochou. 

A vaga deixada por Perrella será ocupada por Márcio Rodrigues, também conhecido por "Marcinho Atacado". Ele é dono de uma rede atacadista na cidade de Contagem, a loja trabalha com venda de artigos de papelaria, escritório e afins, daí o apelido. 

Manobras políticas

O "chumbo trocado e o fogo cruzado" no Cruzeiro não são novidade. Tanto que o presidente Wagner Pires de Sá foi chamado por Zezé Perrella de "Biruta de aeroporto", uma analogia ao instrumento que aponta em direção ao vento. E é justamente isso que acontece com o atual mandatário celeste. 

Chamado de "Rainha da Inglaterra" nos bastidores do clube, Wagner Pires de Sá já recebeu sugestão de pessoas para que ele renunciasse. O Hoje em Dia, inclusive, publicou com exclusividade uma matéria mostrando um diálogo entre o próprio presidente com Itair Machado. 

Nessa conversa o ex vice-presidente de futebol do Cruzeiro indicava que Pires de Sá renunciasse ao cargo para deixar o caminho aberto a um conselheiro bem visto pelos torcedores: Pedro Lourenço, dono da rede de Supermercados BH. 

"Você renuncia e fala, estou renunciando em prol da defesa do Cruzeiro nesse momento, e viria um cara como Pedro Lourenço, dono do supermercado e tal", disse Machado em uma conversa com Pires de Sá um dia após o rebaixamento azul à Série B.

Wagner Pires de Sá esteve até inclinado a tomar a decisão pela renúncia, mas segundo apurou o Hoje em Dia alguns conselheiros mais próximos ao presidente e que tem cargos remunerados no clube o fizeram esquecer essa ideia.