Bruno Soares ficou orgulhoso quando viu que as taças dos dois títulos conquistados no Aberto da Austrália, nas duplas masculinas e nas duplas mistas, já tinham seu nome gravado. A assinatura é pessoal e única, mas vale por uma história coletiva de conquistas. É um atestado de que o Brasil vai bem nos torneios de duplas do tênis.

"Temos uma geração forte nas duplas formada por mim, Marcelo e o André. Desde que eles se especializaram em 2007 e eu, em 2008, conseguimos grandes resultados para o Brasil. É difícil explicar. Desde pequenos sempre tivemos um certo talento para modalidade de equipes", afirmou Bruno Soares, dono de quatro troféus de Grand Slam.

O Marcelo é Marcelo Melo, número 1 entre os duplistas na lista da Associação de Tenistas Profissionais (ATP) desde novembro do ano passado. É a primeira vez em 15 anos que um brasileiro chega ao topo do ranking - o último havia sido Gustavo Kuerten, em simples. "O Brasil sempre teve bons tenistas. Quando jogamos juntos tivemos bons resultados, e eles continuam agora que estamos separados", disse Melo.

Marcelo e Bruno são amigos desde os 6, 7 anos. Começaram no saibro do Minas Clube e foram companheiros e rivais em muitos torneios. Os parceiros de 2010 e 2011 deslancharam mesmo quando se separaram. Bruno foi jogar com o norte-americano Eric Butorac - atualmente é parceiro de Jamie Murray, irmão de Andy Murray. Já Melo rodou até se fixar com o croata Ivan Dodig.

E O SÁ?

André Sá já foi 17.º do mundo nas duplas e chegou à semifinal no Torneio de Wimbledon em 2007 ao lado do próprio Marcelo Melo. Ganhou a medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos de 1999, em Winnipeg, em parceria com Paulo Taicher. Com Flávio Saretta, alcançou as quartas de final do Australian Open em 2004. Na opinião de Bruno, foi ele quem iniciou a ascensão brasileira. "Os brasileiros sempre jogaram bem as duplas, mas bateram na trave algumas vezes. Agora os resultados estão aparecendo", afirmou.

Thomaz Koch, primeiro brasileiro a vencer um torneio de Grand Slam no masculino, nas duplas mistas de Roland Garros em 1975, avalia que o êxito brasileiro vai além da atual geração de grandes talentos. Ele acredita em adaptação brasileira à modalidade. "É importante ter a mão boa, como a gente diz, reflexo apurado, atenção aos voleios e colocação de bolas, principalmente nos cantos da quadra. Os brasileiros vão bem nisso".

O feito de Bruno Soares está inserido em um contexto histórico, mas merece ser visto também como uma façanha individual. Ele foi o primeiro tenista brasileiro a vencer dois títulos no mesmo Grand Slam desde Maria Esther Bueno no US Open de 1966. Praticamente não dormiu entre uma disputa e outra. É bicampeão do US Open nas mistas, em 2012 e 2014.

Com esse currículo, ele e Marcelo Melo, seu parceiro em torneios nacionais, viraram favoritos a uma medalha olímpica nos Jogos do Rio. O empresário Marcio Torres conta que a medalha é um dos dois sonhos que ele persegue - o outro é a liderança no ranking, que está nas mãos do parceiro e amigo de infância Marcelo Melo.