Não é só futebol. Marlene Gomes, de 72 anos, a senhora que viralizou no Twitter tirando a “zica” do time na frente da televisão no momento em que Régis marcou o gol da vitória do Cruzeiro sobre o Vitória, nesta sexta-feira (11), no Mineirão, tem na Raposa uma das suas paixões.

Mas o confronto diante dos baianos não a estava seduzindo muito. Isso porque a sexta-feira começou de forma triste, com a perda da irmã Mileide, de 78 anos, vítima da Covid-19 em São Paulo, onde foi enterrada pouco antes de o Cruzeiro entrar em campo pela 9ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.

A companhia dos netos Matheus, de 26 anos, que mora com ela, no bairro Nacional, em Contagem, e Lorran, de 30, que foi visitar a avó por causa da perda da irmã, animou Dona Marlene a ver a estreia de Ney Franco.

A bola não entrava, a ansiedade aumentava, e ela resolveu “benzer” o time do coração. “Foi a primeira vez que ela fez isso. Ela ficou sem acreditar. Aí, quando a ficha caiu, ela voltou a fazer”, conta o neto Lorran, que foi o responsável pela filmagem da cena.

A dor pela perda da irmã não passou, mas o final da noite de Dona Marlene foi mais alegre, apesar do sufoco na reta final da partida, pois o trauma do empate sofrido do CRB na reta final do confronto, na última segunda-feira, ainda está vivo na memória cruzeirense.

Dona Marclene e família no MineirãoDona Marlene no Mineirão com o filho, dois netos, entre eles Lorran (de boné), a namorada e o irmão dela, de camisa branca 

“Ela voltou até a benzer, mas só no final era o ataque do Vitória, para não deixar eles marcarem gol”, afirma Lorran.

O neto conta que o confinamento provocado pela pandemia deixa Dona Marlene com saudade do que mais gosta de fazer na vida, que é ver o Cruzeiro jogar.
“Ela gosta de ir para o estádio mais cedo. Adora uma resenha. Fica lá fora, bebendo cerveja, antes do jogo. Ela é peça demais”, afirma Lorran.

Personagem do fim do jejum de vitórias cruzeirenses, Dona Marlene mostrou nesta sexta-feira que realmente não é só futebol.