Sexta-feira, dia de comemorar e extravasar. Ainda mais com jogo da seleção à tarde, abrindo de forma antecipada o fim de semana. Mas a torcida que foi ao Mineirão ver o duelo contra a Bélgica, pelas quartas de final da Copa do Mundo, só pode se esbaldar com um golzinho, já no final do segundo tempo.

Os 2 a 0 aplicados pela seleção europeia em cima do Brasil ainda no primeiro tempo, deixaram a torcida num clima que misturava incredulidade com tristeza. E os olhares traduziam o pensamento da galera: o tempo estava passando muito rápido. Cada minuto deixava o sonho do hexa mais distante.

Contudo, quando Renato Augusto marcou aos 31 minutos da etapa complementar, o placar adverso foi esquecido pela torcida, que soltou um grito entalado na garganta desde o início da tarde. Os fãs gritaram, se abraçaram, tentaram empurrar a seleção como se estivessem na Arena Kazan. Houve de tudo: rivais se abraçando, reza, promessa... teve até cruzeirense gritando “Eu acredito”.

E o Brasil perdeu chances claras na segunda etapa. A cada chance, o coração parecia que ia na boca das pessoas, que não deixaram de crer pelo menos no empate. “Eu não deixei de acreditar, porque o Brasil já passou tanto aperto. E era só um golzinho pra mudar a história”, comentou o estudante Gabriel de Oliveira, de 26 anos, que veio com os amigos de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Quando o narrador anunciou os cinco minutos de acréscimos, a esperança do hexa 2018 ganhou uma sobrevida. Mas assim como o tempo corrido, faltou fôlego ao time a torcida, que cabisbaixa lamentou a grande defesa de Courtois no chute de Neymar no finalzinho.

Quando o juiz trilhou o apito, ficou aquela sensação de que dava pra ser melhor, que o Brasil podia ir mais longe. A Bélgica fica na Copa, o hexa fica para o Catar e a torcida agora vai ter que se contentar com o show de Henrique e Diego na Esplanada. Apesar da eliminação, o brasileiro sabe que festa não tem motivo pra acontecer.