A rica experiência acumulada ao longo dos anos, a generosidade e a afetividade tão latentes fazem a gente pensar nelas, as avós, que no domingo (26) comemoraram seu dia.


“Duas vezes mãe”, “anjos da guarda dos netos” e “tecedeiras de histórias” como bem definiu a escritora carioca Sônia Rodrigues. Autora de “Casa de Delícias” (Editora Formato), ela se baseou nas experiências de infância para escrever a publicação. “Tive uma grande contadora de histórias como avó e conheço avós maravilhosas”.
Narrado através do ponto de vista de uma criança, a casa da avó é um lugar inspirador, onde “tem mais neto do que cama e a gente dorme embolado. Num quentinho gostoso”.


Na casa da avó, os pequenos têm mais colo. Tudo o que não podem fazer na casa dos pais ali é permitido: andar descalço, tomar gelado, escovar os dentes somente na hora de ir pra cama e dormir tarde, entre tantas outras concessões. Os carinhos e mimos se estendem para o paladar. “Vovó faz bolinho frito de banana, aquele que ninguém consegue fazer igual. Vovó faz engrossado de fubá pra gente tomar bem cedinho, mal se levanta da cama. Na casa da vovó, os doces são mais gostosos”, narra a autora.


EXPERIÊNCIA PESSOAL


“Na casa de minha avó, mãe de minha mãe, havia aquela coisa de comer pão com manteiga e açúcar por cima e o não reclamar do lençol molhado de xixi”, conta Sônia se referindo à avó Carmem Camejo, uma espanhola que morava em Irajá (subúrbio do Rio) e que adorava contar histórias para os netos.


“Casos de ciganas, marinheiros, gente que veio de longe, muito longe, parar aqui, há muito tempo. Vovó lembra de tudo, conheceu todos eles”, descreve, no livro, a autora, que foi passar o Dia dos Avós junto do netinho Oliver, de 2 anos, que mora em Santa Mônica, na Califórnia (EUA). Sônia está com projeto de uma série infantil para TV, mas por enquanto não pode adiantar detalhes.


PRAZER DA LEITURA


O prazer de ler e folhear “Casa de Delícias” é atribuído também às ilustrações da mineira Marta Neves. “Recebi o texto, li e imaginei as situações felizes narradas ali. Juntei as lembranças de minha avó (Elvira, natural de Pará de Minas) à imagem da avó do livro”.


Marta, que tem formação em desenho e cinema de animação, é artista plástica (já participou de exposições e eventos artísticos no Brasil, Alemanha e Japão) e leciona artes. Ela apresenta para o pequeno leitor a intimidade da casa da avó. E o melhor: de um jeito colorido, peculiar e divertido. “As ilustrações foram feitas com uma antiga técnica de finalização de desenhos animados: pintura sobre acetato. É que estava começando a ilustrar na época e levei algumas artes de um filme meu (“Para o perdão dos pecados”) para a as editoras, que gostaram e me pediram que usasse a técnica”.


O lado ruim dessa história? A saudade que bate da casa da gente.